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Tobias: "Membros do Hamas são heróis"

Gilmar Dias
| Tempo de leitura: 5 min

Deputado estadual afirma que a ONU errou ao criar o Estado de Israel em 1947, logo após a Segunda Guerra.

Brasileiro de coração e libanês de nascimento, o médico e deputado estadual Pedro Tobias (PSDB) tem opiniões radicais quando o assunto é o confronto entre judeus e palestinos. Natural de Bekarzala, aldeia do Interior do Líbano, Tobias deixou o país em 1964, quando tinha 18 anos de idade, bem antes das tensões que levaram a região e os dois povos a um confronto sem fim. Ele afirma com convicção que a Organização das Nações Unidas (ONU) errou ao criar o Estado de Israel, em 1947. Na avaliação dele, o atual primeiro-ministro de Israel, Ariel Sharon, é um assassino. O deputado sai em defensa do Hamas, que ele classifica como um grupo de resistência à expansão do sionismo. Eles não são terroristas, corrige, são heróis, completa. Veja os principais trechos da entrevista com Pedro Tobias:

Jornal da Cidade - O senhor nasceu num país que faz fronteira com Israel, com a Síria, com as colônias da Palestina. Qual é sua leitura sobre o confronto interminável entre judeus e palestinos?Pedro Tobias - Toda a perseguição que os judeus sofreram dos nazistas, durante a Segunda Guerra Mundial, está sendo aplicada com mais perfeição pelo Estado de Israel contra os palestinos. Por incrível que possa parecer, a Palestina foi o único lugar do mundo em que os judeus não eram perseguidos, ao lado de outros povos árabes. Os judeus são forte em todo o mundo. Depois da Segunda Guerra Mundial, dividiram a Palestina e na guerra de 67 (Guerra dos Seis Dias) tomaram mais um pedaço da região.

JC - O senhor acredita que a Organização das Nações Unidas (ONU) errou ao criar o Estado de Israel, em 1947, logo após o término da Segunda Guerra Mundial?Tobias - Sem dúvida nenhuma a ONU errou. A criação do Estado de Israel não foi justa. Imagina que você está morando na sua casa, com paz e tranqüilidade. De repente, no dia seguinte, ela é invadida. Isso não é justo. Não foram só os Estados Unidos que pressionaram, o mundo todo pressionou a criação de Israel.

JC - De uma maneira geral, há radicalismo dos dois lados. O senhor concorda com essa avaliação?Tobias - Não concordo. A imprensa, principalmente a ocidental, vende essa versão. Note que, quando um judeu é morto, os jornais, a mídia em geral. Fazem um escândalo. Quando se noticia a morte de 50 palestinos, afirma-se que foi auto-defesa por parte dos israelenses.

JC - O senhor está afirmando que a cobertura jornalística do confronto entre judeus e palestinos é parcial, favorecendo o Estado de Israel?Tobias - Muito parcial. A maioria das agências internacionais está nas mãos de judeus.

JC - Yasser Arafat, a Autoridade Palestina, por anos seguidos foi acusado de terrorista. O senhor também acha que o terrorismo fez parte do passado de Arafat?Tobias - A imprensa, de uma maneira geral, sempre diz que os palestinos são terroristas. E Ariel Sharon (primeiro-ministro de Israel, general da reserva)? Sharon é um assassino tratado como chefe de Estado. O mundo ocidental não enxerga isso. Sharou matou muita gente inocente e hoje é o primeiro-ministro de Israel. Arafat, ao meu ver, cedeu muito. Não há paz sem guerra. Essa é a minha filosofia.

JC - O senhor avalia, então, que o povo palestino é oprimido? O confronto do estilingue dos palestinos com os mísseis dos judeus é uma covardia?Tobias - Eu não tenho dúvida de que o poder militar do Estado de Israel é um dos maiores do mundo. Imaginem um garoto palestino jogando pedras e recebendo como resposta um míssil, uma rajada de metralhadora. O mundo não enxerga isso. Os judeus têm complexo de superioridade. Acham que são os maiorais, que são os melhores.

JC - Eu não tenho mais dúvidas de que o senhor é a favor da criação do Estado da Palestina. Mas, sinceramente, o senhor acredita que isso vai acontecer um dia?Tobias - Sem dúvida. Os palestinos têm direito a ter a sua própria pátria. A Palestina tem que ser independente, autônoma. É um processo demorado. Israel não vai ceder e vai jogar contra a criação da Palestina. O jeito é a guerra. Não há paz sem guerra. Os israelenses saíram do Líbano depois de uma guerra.

JC - Nos últimos meses, o mundo observa atônito os ataques suicidas de palestinos, que amarram bombas ao próprio corpo, de alto poder destruitivo. O senhor defende esses ataques, muitos dos quais assumidos pelo grupo terrorista Hamas?Tobias - Vou corrigir você. O Hamas não é um grupo terrorista. O Hamas é um grupo de resistência. Eu acho que quando um palestino amarra uma bomba ao próprio corpo e parte para morrer pela pátria é porque ele não tem mais nada a perder. É o desespero. Eles não são terroristas, são heróis. Perdido por perdido, o que vier é lucro. A resistência francesa, a resistência italiana eram terroristas? Eu não aceito que chamem o Hamas de grupo terrorista. A política adotada por Israel leva esses grupos ao extremismo.

JC - Dezenas e dezenas de pessoas morrem de maneira inocente quando esses ataques de homens-bomba acontecem. O que o senhor me diz?Tobias - Olha meu amigo, toda guerra é assim: morrem inocentes dos dois lados. E o Estado de Israel que joga mísseis em cima de pessoas inocentes, em cima de civis, em cima de qualquer lugar? Isso é terrorismo de Estado. E pior: não é condenado.

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