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Riso é bom para a vida profissional

Gustavo Cândido
| Tempo de leitura: 6 min

Manter uma postura positiva em relação à vida, cultivar a harmonia no lar e, sobretudo, ser bem-humorado e rir bastante, pode ser a chave para o sucesso profissional. Quem defende essa teoria é o administrador e empresário dos ramos de moda e beleza Frank Júnior Miyoshi Arimori, presidente da Associação da Prosperidade da Seicho-No-Ie de Curitiba. De acordo com o empresário, que esteve em Bauru esta semana para proferir uma palestra sobre o tema para empresários, profissionais liberais e executivos, um profissional bem-humorado e que vive em harmonia na sua família tende a estar mais disposto, mais motivado no trabalho e, assim, tem mais chances de ser bem-sucedido no que faz. Antes do evento ele concedeu a seguinte entrevista ao JC.

Jornal da Cidade - A sua palestra se chama O cenário da prosperidade. Que cenário seria esse?Frank Júnior Miyoshi Arimori - É uma situação que o empresário deve ter primeiramente na sua mente para que essa visualização do mapa mental possa tomar forma na sua empresa. Por exemplo, ele quer formar um cenário de crescimento de 20% do faturamento nas suas vendas globais. Então, ele projeta essa situação na mente, formando um cenário inicial lá. A partir daquele momento, a coisa começa a tomar forma e ele age de acordo com o que visualizou, passando suas idéias para todos os setores da empresa, para tudo o que faz. O empresário tem que criar primeiro na mente um cenário para o que ele quer num futuro distante, 5, 10, 15 anos.

JC - Seria uma espécie de pensamento positivo mais aplicado?Frank - Não é só o pensamento positivo em si, mas o fato de você tirar a inspiração através da idéia. Essa idéia deve ser colocada no papel e não ficar só engavetada em forma de projeto de gaveta. Ela deve ser trabalhada, acompanhada para tomar forma, criando uma situação muito semelhante ao que foi criado na mente, colocado no papel e que começa a formar-se dentro do ambiente de trabalho.

JC - Existe uma técnica para isso ou é mais uma questão de conscientização?Frank - O primeiro fato é a conscientização. Se você está numa situação difícil é porque antes você projetou na mente essa situação, então é preciso uma conscientização.

JC - E o riso, até que ponto ele interfere no sucesso profissional de uma pessoa? Frank - Ele é importante na vida de um empresário. Existe um ditado japonês que diz: Se você está chorando vem um marimbondo e te pica. O que quer dizer isso? Quer dizer que a pessoa que reclama da economia, reclama do governo, reclama das pessoas, acaba tendo uma situação semelhante para ela, de reclamação, de negativismo, pois ela criou esse cenário ao viver reclamando. Nós temos que olhar o lado iluminado das coisas. O que ocorre numa situação dessas é que o empresário tem que ser ágil o suficiente para poder se adaptar a nova realidade econômica e não jogar a toalha e entregar os pontos, temos que trabalhar de forma mais intensa. O riso libera a criatividade do ser humano e essa criatividade tem que ser colocada em prática para que a pessoa possa mudar as coisas à sua volta e, assim, evolua, sem reclamar da situação mas adaptando-se à ela.

JC - Existe alguma experiência científica que comprova essa teoria?Frank - Existe uma pesquisadora da Universidade de Itaca, nos Estados Unidos, que fez uma experiência da seguinte forma: ela pegou dois grupos de pessoas e, para cada um deles, mostrou um tipo de filme. Um de terror, para gerar tensão e uma comédia, para provocar risos. No final das exibições, quem viu a comédia saiu alegre da sala e quem viu o terror saiu tenso. Dai foram aplicadas as provas do dia que, depois de corrigidas, revelaram que os que viram o terror ficaram abaixo da média. Os que viram a comédia ficaram acima da média normal. A conclusão foi que o riso libera um certo grau de desprendimento, as pessoas ficam mais criativas e conseguem solucionar problemas de forma mais rápida.

JC - Existe alguma experiência prática dessas maneiras de agir na empresas?Frank - O que acontece é que o empresário que, geralmente, fica mal-humorado, triste e depressivo, passa esse clima ruim para a empresa e ela fica com uma atmosfera carregada. Às vezes, o cliente está com vontade de entrar na empresa ou no estabelecimento profissional, mas sente uma influência muito negativa, sombria e acaba recusando aquela organização. O empresário que tem o hábito de rir, dar gargalhada, de ficar sempre alegre, cria um clima favorável para atrair o público. Isso funciona mesmo, eu tenho visto isso na prática em Curitiba.

JC - Existem empresas no Japão que fazem a hora do riso, não é?Frank - Existem sim, até já fizeram matérias na televisão sobre isso. Funciona assim: os funcionários estão todos trabalhando. De repente, toca um apito e todos se deslocam para uma sala e começam a gargalhar. Isso sem piada, filme, nada. Só começam a gargalhar e, depois de um tempo, voltam para a atividade normal. As empresas que fazem isso tiveram sua produtividade aumentada e se tornaram mais competitivas no mercado.

JC - Isso funciona também para quem quer procurar emprego?Frank - Sim. É claro que a pessoa não vai chegar dando gargalhadas para o entrevistador. Mas o que ela não pode fazer é ficar com aquela cara pesada, de desempregado, de pessoa que está com as contas para pagar. A pessoa mais tranqüila, com um semblante alegre tem mais chances de conseguir um emprego. Nossa fisionomia é nosso cartão de visita e esse clima vai passar uma boa impressão para quem a estiver entrevistando. O mesmo vale para as promoções dentro das empresas. Geralmente, quando há um cargo disponível, a escolha recai sobre alguém que tenha uma atmosfera alegre, seja descontraído e viva mais harmoniosamente com os demais. E isso funciona para todas as áreas.

O que é a Seicho-No-Ie

A Seicho-No-Ie é uma filosofia que surgiu em 1930, no Japão, com o lançamento, pelo Dr. Masaharu Taniguchi, de uma revista com o mesmo nome. A publicação era fruto de anos de pesquisas de Taniguchi sobre as maiores religiões e filosofias do mundo, que resultaram numa filosofia positivista, cuja essência diz que somente Deus e o mundo da Imagem Verdadeira criado por Deus é realidade e que, originariamente, o homem é filho de Deus.

Durante mais de 50 anos, desde o início da Seicho-No-Ie, Masaharu Taniguchi devotou-se à propagação das palavras de Deus, através de publicações, palestras e transmissões radiofônicas. Com o seu falecimento, em 17 de junho de 1985, aos 91 anos, seu genro Seicho Taniguchi assumiu a presidência da organização que, atualmente, está representada em quase todos os países do mundo. A Seicho-No-Ie não prega o sectarismo e pode ser freqüentada por pessoas de todas as religiões.

Fonte: www.seicho-no-ie.org.br

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