Orientação do Governo Federal é para que as obras de drenagem sejam prioridade. Métodos modernos defendem a retenção temporária das águas e não mais seu desvio subterrâneo.
A drenagem das águas pluviais talvez seja a preocupação número um nas diretrizes de expansão em Bauru. Mais. A questão vem antes dos projetos que vislumbram o desenvolvimento da cidade, pois significam reparar algo que foi negligenciado ou simplesmente esquecido no passado. A própria Secretaria de Desenvolvimento Urbano da Presidência da República, que recentemente enviou um representante à cidade, elegeu a drenagem como o canal mais viável para a liberação de verbas governamentais.
Como já mencionamos na capa desta edição do JC nos Bairros e em outras várias oportunidades, os projetos urbanísticos adotados pelo município até poucos anos atrás parecem ter desprezado a topografia da cidade, marcada pela ocorrência de vários fundos de vales. Na prática, isso significa que a ocupação dos terrenos mais elevados sobrecarregou as partes baixas no que tange à descida de águas pluviais. Com a pavimentação de ruas e a impermeabilização dos terrenos (calçamento interno das casas, por exemplo), a água da chuva deixou de ser absorvida e passou a escoar para os fundos de vales, que, por sua vez, não foram preparados para receber tanto volume. É por isso que Nações Unidas (córrego das Flores) e Alfredo Maia (córrego Água do Sobrado), por exemplo, sofrem com alagamentos a cada chuva torrencial.
A falta de planejamento das gestões passadas, entretanto, vem deixando aos poucos de ser o açoite político e mural de críticas dos sucessores. Percebeu-se - tardiamente - que é preciso partir para soluções efetivas e para políticas de planejamento capazes de evitar a repetição dos erros.
A situação da avenida Nações Unidas está sob análise há vários anos e só agora começam a aparecer sugestões e promessas concretas de solução. A idéia mais cotada é que prevê a construção de uma barragem no Parque Vitória Régia, a qual seria responsável pela contenção temporária das águas. Paralelamente, a Secretaria Municipal de Planejamento (Seplan) vem negociando com os proprietários do Bauru Shopping a execução de uma obra capaz de segurar temporariamente a vazão das águas. Seria algo como uma grande caixa cheia de pedras que receberia a água da chuva e a soltasse gradativamente. Com isso, ganharíamos um tempo durante o pico dos temporais, impedindo a descida da chuva de uma vez só, explica Maria Helena Rigitano, titular da Seplan. Essa é uma alternativa viável, já que não poderíamos exigir obras de contenção com os moradores. Já no futuro, isso será feito, antecipou a secretária, referindo-se aos futuros loteamentos situados próximos a fundos de vale.
Toda a atenção da administração municipal ao problema da drenagem, vale registrar, não decorre só de questões técnicas ou de um despertar de consciência. O lado financeiro pesa, e muito. A Seplan foi recentemente comunicada por um representante do próprio Governo Federal que Bauru tem grandes chances de ser beneficiada com verbas da União se a aplicação delas for destinada a obras de drenagem ou saneamento. Fomos orientados a priorizar esses setores, pois, assim, o município teria canal mais aberto para o recebimento de ajuda financeira governamental. Pensávamos em obras viárias e de pavimentação, mas é com a drenagem e saneamento que temos a maior possibilidade de conseguir os recursos, expôs Rigitano.
Nova visão
A concepção de obras de drenagem urbana de águas pluviais sofreu mudanças profundas nas últimas décadas e já está presente nos projetos da Secretaria Municipal de Planejamento (Seplan). Se antigamente, os métodos enterravam as águas, hoje as traz para a superfície.
Nas décadas de 70, 80 e até 90, no caso do Brasil, a tônica era executar galerias e desviar a água das chuvas para debaixo da terra. Com o tempo, descobriu-se que esse método apenas transfere o problema. Exemplo disso está bem perto dos bauruenses, na avenida Nações Unidas. Vale destacar que no caso da avenida o problema foi agravado por conta do subdimensionamento da tubulação. Mesmo assim, o sistema é falho. O desvio subterrâneo resolve o problema num ponto, mas resulta na erosão ou no alagamento de outro. A nova visão da drenagem urbana passa pela retenção temporária da água, permitindo seu infiltramento. É claro que o excedente vai escoar pela superfície e pelas galerias, mas não exigirá uma estrutura com tubos de diâmetro enorme, ou seja, menores custos, explicou a secretária.