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Nações Norte será a alavanca da região

Josefa Cunha
| Tempo de leitura: 5 min

Segundo previsão da administração municipal, a avenida que abrirá o desenvolvimento da Zona Norte pode ter uma das pistas construídas até 2003. A via também fará a ligação com a rodovia Bauru-Marília.

O prolongamento da avenida Nações Unidas, que a partir do cruzamento com a avenida Jânio Quadros ganhará o nome de Nações Norte, será a alavanca para o progresso da Zona Norte e, conseqüentemente, de Bauru como um todo. É ela que fará a ligação da cidade que conhecemos hoje com uma parte nova que poderá abrigar uma população estimada em outros 200 mil habitantes. Será também ela que abrirá um novo acesso ao município, via comandante João Ribeiro de Barros (Bauru/Marília).

Hoje, a Nações Unidas acaba na rua Floresta, embora tenha sido retomada há alguns dias a construção de um acesso que a ligará com a subaproveitada avenida Jânio Quadros. Ao todo, serão 350 metros, com conclusão aprazada para 2002, que podem dar início ao processo de desenvolvimento da região.

A Zona Norte abrange 14 bairros (veja quais são no quadro) e abriga, segundo dados do último censo, 12% da população bauruense - em números atuais seriam cerca de 38 mil habitantes. A intenção da Prefeitura é focar a expansão no setor meridional da região, onde hoje as áreas ocupadas se limitam ao Parque Roosevelt, Jardim Marília, Jardim TV, Santa Cecília e Vila Garcia. Na região do Gasparini, extremo norte da cidade, a expansão não consta nos planos da administração, mas por uma razão justificável: o crescimento demográfico ali poderia comprometer a bacia do córrego Água Parada, futuro manancial de água potável do município.

Hoje, para se chegar à parte baixa da Zona Norte, não há muitas alternativas. O trajeto oficial se dá via rua Floresta até a Flor do Amor, de onde a ligação para os bairros exige a travessia do Parque São Geraldo. Em todo o itinerário as ruas são estreitas, de mão dupla e fluxo lento, por onde ônibus e carros disputam espaço.

Com a liberação do trecho que liga a Nações à Jânio Quadros, a passagem excluirá a sacolejante rua Floresta do trajeto, mas manterá as ruas estreitas e de trânsito lento. O problema do acesso só será resolvido mesmo com a Nações Norte, cujo um dos braços pode sair ainda nesta gestão municipal.

Com a futura abertura da avenida, a previsão é de um boom imobiliário naquela região, principalmente às margens da via, que terá o fluxo expresso como característica marcante. Atualmente, existe apenas um projeto de loteamento para aquela área, mas a secretária municipal do Planejamento, Maria Helena Rigitano, diz que outros vários empreendedores já pediram consultas para diretrizes.

Além da via em si, um outro chamariz deverá ser a possível construção do complexo policlínico da Universidade do Sagrado Coração (USC), que recebeu em doação uma grande gleba de terras no local. Segundo Rigitano, o prazo para a instituição dar início à obra se esgotou e foi prorrogado. Certamente, a falta de acesso pesou nessa decisão, pontuou a secretária. A USC foi procurada para pronunciar-se sobre a intenção de ocupar o terreno, mas não havia enviado resposta até o fechamento do caderno, quinta-feira à noite.

Com uma faculdade por perto, o desenvolvimento seria líquido e certo na região, pois atrairia investidores dos mais diversos setores (bares, restaurantes, residenciais estudantis, livrarias, postos de gasolina, etc) em um curto espaço de tempo. A expansão, por isso, seria uma conseqüência natural.

De periferia marcada por bairros pobres, a região Norte pode vir a ser no futuro uma nova zona sul em termos residenciais. A valorização advinda com a avenida Jânio Quadros é mostra concreta disso, pois elevou o preço do metro quadrado dos terrenos vizinhos a patamares equivalentes ao praticado na comercialização de lotes na região da avenida Nossa Senhora de Fátima. Queremos enobrecer a área, sim, levando serviços e comodidade aos moradores que já moram no local hoje, salientou a titular da Seplan.

Saindo da rodovia

Os moradores da Zona Norte fixados nos bairros Pousada da Esperança, Quinta da Bela Olinda e Vila São Paulo, ainda precisam recorrer à rodovia para chegar em casa ou ao Centro da cidade, como tomar a Marechal Rondon se o endereço for no núcleo Gasparini. Não bastassem o incômodo da distância e as despesas com a locomoção, os moradores dessas localidades ainda correm o risco de se expor cotidianamente ao tráfego pesado das rodovias.

Para minimizar o problema, a Prefeitura vem fazendo gestões para a construção de marginais tanto na Bauru-Iacanga quanto na Marechal Rondon, no trecho que vai até o Gasparini. As negociações ainda estão no campo dos ofícios, mas a esperança de a administração fechar parceria com o Departamento de Estradas de Rodagem (DER) é grande.

No pretendido convênio, o órgão estadual entraria com o material e a Prefeitura, com a mão-de-obra. O DER teria interesse em retirar da rodovia esse fluxo interno, pois o índice de acidentes envolvendo veículos de Bauru seria grande nesses trechos. Os acidentes acontecem porque muita gente sai para a rodovia sem condições de enfrentar o tráfego rápido e pesado. Tem muita gente que sai na estrada de bicicleta, veículos velhos e até carroças, sem as mínimas condições de segurança, destacou Maria Helena Rigitano, titular da Secretaria Municipal de Planejamento (Seplan).

Bairros da Zona Norte (*)

Vila São Paulo

Pousada da Esperança

Núcleo Gasparini

Nova Bauru

Vitória Régia

Colina Verde

Parque City

Índia Vanuíre

Parque São Geraldo

Santa Cecília

Jardim Marília

Jardim TV

Alto do Parque Roosevelt

Fortunato Rocha Lima

(*) População estimada de 38 mil habitantes

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