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Racismo e tolerância serão debatidos hoje na Unesp

Fabiano Alcantara
| Tempo de leitura: 2 min

O câmpus da Universidade Estadual Paulista (Unesp) sedia hoje, às 19h30, um seminário contra o racismo e a tolerância. O objetivo do encontro é estabelecer um debate sobre teses da Conferência Mundial contra o Racismo, que começa no final deste mês, na África do Sul, e questões correlatas. O evento será realizado no auditório central, sala 1.

Participam do debate a coordenadora da Associação de Mulheres Indígenas do Centro Oeste Paulista, Jupira Terena, a integrante da Comissão do Negro e Assuntos Anti-Discriminatórios da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Keila Maria Cândido, o sindicalista de Bauru e conselheiro da Comissão de Combate ao Racismo da CUT, Roque Ferreira, e o pró-reitor de graduação da Unesp e representante da Unesp na Organização das Nações Unidas (ONU), Wilson Galheco Garcia.

De acordo com o professor Clodoaldo Meneguello Cardoso, coordenador do Núcleo pela Tolerância, da Unesp, a intenção do seminário é fazer uma ponte entre as questões locais, como dos índios da região com os debates realizados mundialmente, da Conferência Mundial contra o Racismo, organizada pela ONU. O professor explicou que o lema do núcleo coordenado por ele é aceitar a diversidade e não a desigualdade.

Para o professor, o racismo no Brasil deve ser visto pelo prisma da desigualdade social. Há uma vinculação muito grande entre a desigualdade racial e social, defendeu. Ele exemplificou com o caso do acesso dos negros à universidade. Para Cardoso, a questão não está ligada com a raça, mas com o nível econômico. Não é o negro que não tem acesso à universidade é o pobre e, 80%, 90% dos pobres são negros , argumentou.

Um dos pontos polêmicos na delegação brasileira que vai a África do Sul é a tese de cotas para negros na universidade. Cardoso defendeu medidas como o fortalecimento da escola pública, vestibular grátis e cursinhos comunitários, antes da discussão do sistema de cotas. Pode até ter a cota. Mas desvinculada de medidas como estas, não creio que seria muito eficaz, disse.

A abertura do seminário está prevista para as 19h30 com uma apresentação de dança afro. Às 20 horas acontece uma exposição das teses dos convidados, seguido de um debate. O encerramento está previsto para 22 horas, com uma dança indígena.

As inscrições para o seminário são grátis, mas devem ser feitas antecipadamente, o limite da sala é 180 pessoas. Informações pelos telefones: (14) 221-6064, Unesp, ou (14) 224-2747, OAB. Na Internet: www.bauru.unesp.br/tolerancia/seconri.htm

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