Geral

A Banda Sinfônica da PM de São Paulo

Redação
| Tempo de leitura: 2 min

Apresentando-se na noite de 3 do corrente, complementando as festividades comemorativas do 105.º aniversário de Bauru, a Banda Sinfônica da PM de São Paulo interpretou belo programa constante de variados números musicais, mesclando obras de autores estrangeiros (Gustav Holst, Rossini, Glenn Osser, Van Lijnschooten e Sammy Nestico) com músicos nacionais (José Barbosa Brito, Edmundo Villani-Cortes) e o consagrado Ari Barroso, cuja Aquarela do Brasil foi executada em brilhante versão denominada Aquarela Brasileira, feita por Elias José dos Santos, 2.º sargento músico.

Presente ao festivo ato, o professor Hélcio Pupo Ribeiro, crítico de artes, presidente do Clube Amigos da Boa Música e colaborador do JC, escreveu o abalisado comentário que transcrevemos a seguir que a música torne os homens mais humanos e que ela os una não somente de modo passageiro, sob a influência de um sentimento efêmero, mas, inculcando-lhes a grande idéia de fraternidade.

Nem bem soaram os últimos acordes do concerto e as sábias palavras de João XXIII ressoaram em nossos ouvidos. Sem qualquer dúvida, a apresentação da marcante Sinfônica de São Paulo foi, até o momento, o evento cultural mais brilhante e significativo de todo o programa de Festividades dedicadas à nossa cidade. A missão da música instrumental, seja de banda ou orquestra, é não somente motivar os homens dando-lhes caráter marcial ou militar. É mais ampla essa missão, pois extrapola os limites do entretenimento. Seu objetivo é, então, educativo, eis que se dirige ao espírito e não ao corpo (caso da música popular). Sua meta é cultural, pois pretende purificar a alma, tornando os seres humanos mais sensíveis, esclarecidos e cordatos. Ludwig Van Beethoven, grande mestre do classicismo alemão, ensinava: A emoção é o apogeu da existência e a música, apogeu da emoção, é a arte que nos conduz a Deus.

Finalizando, cumpre-nos louvar, ainda uma vez, a excelência da interpretação, seu desenvolvimento perfeito, afinação impecável, a compreensão correta do sentido musical e, principalmente, a beleza suprema da boa música. Á nossa frente, estava cerca de 80 músicos compenetrados, cônscios de que o que estavam fazendo era algo superior, sublime, tal como dissera Beethoven - perdoe-nos a redundância - ao finalizar uma de suas sinfonias: Tendo saído do coração, possa voltar ao coração. Em nosso socorro vem ainda o francês Saint-Saens: Arte é a forma, a expressão, a paixão, eis que seduz antes de tudo o ouvinte. O artista que não se sente inteiramente satisfeito com as lnhas elegantes, com as cores harmoniosas, com uma série de acordes, não compreende a arte, que não é só talento, complementa Glauber Rocha. Parabéns Polícia Musical. Parabéns Bauru!

Em tempo: não entendi a inclusão de um contrabaixo de cordas (acústico) no meio de 79 instrumentos de sopro e percussão! A propósito, nota dez para o percursionista. Fez malabarismo com os pratos!

Comentários

Comentários