Vivendo período de polêmica em razão de demissões de músicos, a Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo se apresenta em Bauru amanhã, no Sesc
A Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo (Osesp), regida por Roberto Minczuk, faz um concerto amanhã, às 21 horas, no ginásio do Sesc, em Bauru.
A trajetória da Orquestra pode ser dividida em dois períodos. O primeiro vai de 1972 a 1996, quando foi conduzida por Eleazar de Carvalho, até sua morte. O segundo começa em 1997 com a liderança de John Neschling e tem características singulares.
Na verdade, a Osesp foi criada em 1953, pelo maestro Souza Lima, mas até o início dos anos 70, teve vida efêmera. Os 24 anos sob a direção de Eleazar de Carvalho representam uma fase de grande atividade e prestígio, quando o conjunto se apresentava em temporadas de concertos regulares e com sucesso de público.
No início da década de 90, porém, a orquestra foi vítima do abandono e do descaso, com remuneração pouco atraente para os profissionais, sem sede para realizar concertos nem estrutura mínima para organizar temporadas e implementar novos projetos.
Demissões
No último dia 20, a Orquestra sofreu sete baixas no seu quadro de músicos. As demissões, sob ordens do maestro John Neschling, têm dividido opiniões entre os profissionais do grupo e causado polêmicas.
Ao mesmo tempo em que alguns de seus integrantes continuam queixando-se de abuso de poder por parte da direção, outros defendem a continuidade do projeto e encaram o incidente como algo que tem de ser superado o mais rapidamente possível. Manifestações contra as demissões, no entanto, circulam pela internet, entre estudantes de música, através de um e-mail, pedindo atitudes contra o maestro.
Rigor
John Neschling, ao aceitar a direção artística da Osesp impôs regras claras que visavam fazer do conjunto um paradigma no País e incluí-lo no cenário internacional.
Em 1997, após rígidos testes de seleção, modificou-se o quadro de músicos, admitindo jovens brasileiros e estrangeiros. A partir de então, os concertos passaram a ser realizados no Teatro São Pedro, até a instalação definitiva da Orquestra na Sala São Paulo, atualmente sua sede própria.
A preocupação com o repertório é marca distintiva do perfil do grupo: ao lado de pilares da música ocidental consagrada, As Estações e A Criação, de J. Haydn, o War Requiem de Britten, ciclos das sinfonias de Schumann, Shostakovich e Mahler, por exemplo, são executadas sistematicamente obras contemporâneas internacionais e brasileiras, além de primeiras audições mundiais.
Os autores nacionais aparecem representados, anualmente, por cerca de 20 obras. Os músicos da Osesp têm importante papel na programação das temporadas, atuando como solistas e como integrantes de conjuntos de música de câmara.
Serviço
Orquesta Sinfônica do Estado de São Paulo faz concerto amanhã, 21 horas, no Sesc. Ingressos limitados: R$10,00, R$5,00 (estudantes com comprovante e pessoas acima de 65 anos) e R$2,50 (matriculados). AV. Aureliano Cardia, 6-71. Informações: 235-1750.