Diz o governador Alckmin que o reajuste aplicado aos salários dos policiais afasta qualquer risco de paralisação. É difícil aquilatar se o governo está com a razão; o fato é que o tal reajuste não agradou. Se eles que receberam um modesto reajuste, porém sobre o salário base, não sentem-se satisfeitos, imaginem nós, outros servidores, que nem sequer reajuste recebemos!
Fomos humilhantemente desprezados quando o chefe do Executivo paulista declarou pelos órgãos da imprensa que os demais servidores dos órgãos civis, perceberiam uma gratificação única de R$ 80,00 (oitenta reais). Descontado imposto de renda e aquela série de descontos normais, a gratificação deverá encolher para R$ 50,00 ou R$ 60,00 no máximo. Os funcionários graduados irão perceber menos que seus subordinados. Perversa inversão hierárquica. Isto é justiça, senhor governador? Se a Assembléia Legislativa do Estado, que tem por obrigação tomar iniciativa no caso de reajuste de vencimentos de alguns membros dos poderes, inclusive do chefe do Executivo, lhe destinasse essa maravilhosa oferta, vossa excelência tomaria isto como um ato de justiça? Tenho certeza que não. Sentiria nisto um ato hostil, desrespeitoso, injusto; verdadeira desconsideração.
Vossa excelência, pela bagagem cultural que possui, deve ter conhecimento que toda pessoa, todo ser humano carrega consigo aquele sentimento de dignidade que faz dele um homem. A dignidade do homem não permite que ele sinta-se conformado ou satisfeito quando injustiçado. Todo homem conhece seu valor; e luta por mantê-lo imaculado face ao direito e a justiça.
No caso, nossos direitos estão sendo revoltantemente aviltados. O que estamos pleiteando dos Poderes Públicos, tanto policiais, quanto servidores civis, é uma valorização da carreira que possa nos oferecer um nível de vida condigno; não se esquecendo que toda carreira se alicerça em um princípio hierárquico.
Se os senhores da Cúpula Administrativa, que são servidores tanto quanto nós, percebem vencimentos condignos; por que, nós, mais humildes, não podemos viver condignamente? Por que devemos sempre ser tratados como indigentes? O indigente é um infeliz que já perdeu tudo na vida; até a própria dignidade. Recebe as migalhas para não morrer de fome; porém, se pudesse, cuspiria na cara da sociedade que o levou a essa situação subumana. Excelência, bastam as indignidades que se vêm praticando contra os aposentados; homens e mulheres idosos, já no limiar da vida. Isto é humanismo? Somos modestos servidores, excelência; porém, propugnamos por um tratamento justo e humano. Essas condições não são favores a nós oferecidos; são direitos nossos, uma obrigação do Estado.
Todo bom administrador público, tem que velar pelos direitos do Estado; não esquecer, contudo, que este se acha alicerçado na força do trabalho honesto daqueles que o impulsionam para cima e para a frente; seus humildes servidores. Cumprindo nossas obrigações, amealhamos direitos que, por justiça, devem ser respaldados. Gostaríamos de sentir-nos seguros quanto a essa justiça.
(*) Áureo Corrêa de Souza - RG: 3.538.605