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Familiares de presos exigem médico

Ieda Rodrigues
| Tempo de leitura: 3 min

A visita semanal dos presos do Cadeião, ontem, quase acabou em rebelião. Presos doentes foram para o PS

A visita semanal dos presos da Cadeia Pública de Bauru, o Cadeião, ontem, quase acaba em rebelião. Vários detentos ameaçaram não retornar para as celas enquanto seus familiares estavam dispostos a não sair da cadeia ao final do horário de visita exigindo atendimento médico para os presos doentes.

A situação foi contornada após a direção do Cadeião comprometer-se a encaminhar os presos doentes ao pronto-socorro. De acordo com os familiares, boa parte dos presos está apresentando vômito e diarréia, sintomas de uma virose, e um deles com sintoma de meningite. O delegado Roberto Cabral Medeiros, que responde pelo expediente do Cadeião, confirmou que cinco dos 157 presos que estavam na unidade ontem à tarde apresentaram vômito e diarréia.

Medeiros contou que os cinco presos foram encaminhados ao Pronto-Socorro Central logo após o término da visita. O delegado explicou que, para atender rapidamente os presos, foram canceladas as audiências no Fórum programadas para ontem. O detento com suspeita de meningite foi submetido a exame anteontem, quando foi colhido líquor para a comprovação ou não da doença, mas o resultado ainda não foi divulgado, segundo o delegado.

Andréia de Oliveira Leissone, que ontem visitou seu namorado preso no Cadeião e procurou o JC para reclamar, disse que cerca de 30 detentos estão doentes. Ela contou que alguns deles, além de diarréia e vômito, estão com febre alta e nem conseguiam andar. A mãe de outro preso da cadeia, que não quis se identificar, afirmou que as condições de saúde estão muito ruins.

Ela disse que seu filho está com anemia e chegou a desmaiar. Ambas disseram que os presos não estavam sendo encaminhados ao pronto-socorro, contrariando o acordo feito com a direção da cadeia e a informação dada pelo delegado. A reportagem confirmou que alguns presos foram atendidos no Pronto-Socorro Central ontem à tarde, mas não conseguiu precisar quantos.

De acordo com Medeiros, exceto os cinco presos encaminhados para o Pronto-Socorro Central ontem à tarde e o que aguarda resultado do exame de meningite, os demais não apresentam problemas de saúde graves. Ontem, o Cadeião estava com 157 presos quando o limite é de 108, determinado por portaria judicial.

Apesar do esforço de Medeiros e dos promotores das Execuções Criminais para obter vagas no sistema prisional e assim desafogar o Cadeião, o limite de 108 está longe de ser respeitado. O delegado contou que foram liberadas mais dez vagas em presídios para os presos de Bauru já sentenciados. As transferências devem ser feitas nos próximos dias.

Vigilância vai vistoriar o Cadeião hoje

Está marcada para hoje a vistoria do serviço de Vigilância Sanitária à Cadeia Pública de Bauru, o Cadeião, pedida pela comissão formada por entidades e órgãos ligados aos direitos humanos. A comissão, integrada por representantes da Subseção Bauru da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Câmara Municipal, igrejas e outros órgãos, está pedindo a interdição do Cadeião alegando superlotação e condições precárias de saúde e higiene.

A comissão constatou, durante visita recente ao Cadeião, que mais de cem presos vivem amontoados nas celas; que o prédio tem problemas estruturais e que faltam funcionários. Após a visita, a comissão elaborou um relatório pedindo à Vigilância Sanitária que vistorie e determine a interdição da cadeia. Diante da indefinição do Município e do Estado sobre a competência da vistoria na cadeia, o pedido foi protocolado nos dois órgãos, que decidiram fazer o serviço em conjunto.

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