Sindicato dos Trabalhadores na Construção entende que alojamento, em Piratininga, oferecia condições subumanas
Piratininga - O Sindicato dos Trabalhadores da Construção Civil de Bauru e Região registrou ontem um Boletim de Ocorrência contra a Suprema Construtora, responsável pelas obras do Conjunto Habitacional Santa Maria, em Piratininga.
Funcionários da obra reclamam da falta de pagamento, maus tratos e ausência de registro profissional. Eles também protestam contra a situação precária do alojamento, que não tem água, iluminação improvisada e piso de terra. Há três meses estamos neste cativeiro, disse um dos trabalhadores. A casa, uma construção inacabada com cinco cômodos, chegou a abrigar 23 homens, segundo eles. Hoje, 13 pessoas estariam vivendo no alojamento.
O presidente do sindicato, Cláudio da Silva Gomes, disse que vai entrar hoje com uma representação no Ministério do Trabalho para pedir uma fiscalização emergencial do local. Ele vai solicitar o transporte dos trabalhadores para um local com melhores condições. A situação é subumana, acusa.
Segundo Gomes, o sindicato também vai acionar o Ministério Público do Trabalho. É uma ironia que uma obra financiada pelo Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS) não respeite o trabalhador, disse.
De acordo com os empregados, os salários estão atrasados há até dois meses. Hoje, o sindicato pretende registrar vários BOs na delegacia com cada um dos trabalhadores supostamente prejudicados. Outro lado
O gerente administrativo da Suprema, João Ubaldo Paulino Dutra, negou que os salários estejam atrasados. Ele disse que a empresa vinha pagando os funcionários no dia 20, mas que a construtora não teria obrigatoriedade de efetuar os pagamentos neste dia. O sindicato dos trabalhadores de Bauru não tem acordo coletivo firmado com o sindicato patronal. Por isso, não temos esta obrigação. Poderíamos pagar só no quinto dia útil, disse.
Dutra afirmou que a empresa vai realizar o pagamento hoje. Ele disse que os salários não foram liberados dia 20 deste mês por problemas internos. O gerente disse não ser possível que algum trabalhador esteja há dois meses sem receber.
Em relação aos supostos maus tratos aos trabalhadores, ele disse que a empresa vai levantar informações e tomar providências, se necessário. O gerente afirmou que, apesar da responsabilidade final ser da Suprema, quatro subempreiteiras participam da obra.
Dutra disse também que não teria condições de afirmar se todos os trabalhadores estariam registrados. Ele afirmou que iria pedir informações para as subempreiteiras e cobrar os registros. Entra e sai um monte de gente todo dia. Até o mês passado, estavam todos registrados, disse.