Os presos disseram às equipes de Vigilância Sanitária que há rato morto na rede de água da cadeia, entre outros problemas.
Os presos da Cadeia Pública de Bauru, o Cadeião, listaram problemas de higiene e saúde às equipes da Vigilância Sanitária do Município e do Estado que, ontem, vistoriaram a unidade prisional. A vistoria foi feita a pedido da comissão formada por entidades e órgãos ligados aos direitos humanos que recentemente visitou o Cadeião e considerou que os presos vivem em condições sanitárias precárias.
A comissão, integrada por várias entidades e órgãos, entre eles Subseção Bauru da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Câmara Municipal e igrejas, está pedindo à Vigilância Sanitária que determine a interdição do Cadeião. O laudo da Vigilância Sanitária, recomendando ou não a interdição, deverá ser expedido na próxima semana.
Uma das reclamações feitas pelos presos à Vigilância Sanitária foi de que a água que eles bebem está contaminada. Segundo eles, há ratos mortos na tubulação, o que estaria contaminando a água e, conseqüentemente, causando viroses e doenças de pele nos detentos.
Eles também reclamaram de um vazamento de esgoto próximo ao tanque utilizado pelos detentos para lavar roupas. A superlotação agrava os problemas da cadeia. Na manhã de ontem, a população carcerária era de 163, quando o limite do Cadeião, determinado por portaria judicial, é de 108 presos.
De acordo com Daniel Placência Matheus, da Vigilância Sanitária Estadual, o objetivo da vistoria é constatar ou não as denúncias. A Comissão de Direitos Humanos da OAB, entre outros órgãos, solicitou à Vigilância Sanitária que fizesse essa vistoria na Cadeia Pública de Bauru para se constatar as condições do prédio e de funcionamento da própria cadeia, disse.
Foram analisados aspectos referentes à limpeza do local, à água oferecida aos presos, à existência de insetos, às condições dos banheiros, das celas, do pátio e do ambulatório médico. Começamos pelo básico - fornecimento de água, condições de esgoto, lixo, condições de iluminação e ventilação das celas, condições de manutenção da própria edificação e a parte de alimentação e limpeza, afirmou Matheus.
As condições da cadeia, depois de analisadas, serão confrontadas com os códigos sanitários estadual e municipal, de acordo com o Matheus. O próximo passo, em parceria com a Vigilância Sanitária do Município, será expedir o laudo conclusivo. No máximo até a metade da semana que vem nós estaremos elaborando um relatório conclusivo, que vai ser expedido de forma unificada, pelas vigilâncias sanitária estadual e municipal. Ainda não dá para ter uma posição completa sobre isso, expôs Matheus.
Os presos
Durante a vistoria, os presos foram mantidos no pátio da cadeia para que as celas pudessem ser vistoriadas. No entanto, alguns deles apresentavam sintomas de doenças e permaneceram nas celas, deitados. Os familiares que visitam semanalmente os detentos, às quintas-feiras, também mostram indignação frente às condições que a Cadeia Pública de Bauru oferece aos presos.
Na última quinta-feira, os familiares denunciaram que cerca de 30 deles estavam doentes, apresentando vômito, diarréia, febre alta e até mesmo anemia. Para o delegado Roberto Cabral Medeiros, que responde pelo expediente da cadeia, a superlotação é o principal problema. Vale lembrar que uma portaria judicial determinou, recentemente, o limite de 108 detentos para a Cadeia Pública.
O problema principal é a superlotação. Você não tem condições de fazer uma profilaxia num local onde cabem dois presos por cela e você tem 15, 16, 18 e até 20 presos, agrava. O delegado contou que as reclamações por parte dos detentos são freqüentes. A gente, na medida do possível, tem tentado solucionar os principais problemas. Nós temos um médico constante aqui, temos ambulatório, remédios, mas eu sei que também não é suficiente, disse.
Os problemas que estão sendo constatados a gente já sabe há muito tempo. Eu acredito que os objetivos dos Direitos Humanos, da Câmara Municipal, da Ordem dos Advogados do Brasil, da Imprensa, é no sentido não só de apontar esses problemas, mas também de nos ajudar a solucioná-los, acrescentou Medeiros.