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Menor confessa ter inventado seqüestro

Ieda Rodrigues
| Tempo de leitura: 3 min

A estudante A.C.P., 13 anos, que anteontem disse ter sido seqüestrada por três homens, em Bauru, ontem revelou à Polícia Civil que a história não passou de invenção. A adolescente confessou que fantasiou o seqüestro ao tentar chamar a atenção de um rapaz de 32 anos pelo qual ela estava apaixonada. Até então, a Polícia Civil acreditava que ela havia sido seqüestrada por engano, no lugar de uma outra pessoa.

O caso foi esclarecido ontem pela manhã, quando o delegado Ronaldo Divino, titular do 1.º Distrito Policial, questionou A.C.P. sobre o fato de os supostos seqüestradores terem permitido que ela ligasse para uma amiga várias vezes. A garota havia contado à polícia que tinha sido obrigada a entrar em um carro com três homens quando retornava da escola, em direção à sua casa, por volta do meio-dia de segunda-feira.

Com detalhes, A.C.P. contou à Polícia Civil que os homens disseram a ela que queriam receber uma dívida, sendo que ela teria respondido que não devia nada a eles. A adolescente, na ocasião, disse que no final da tarde foi liberada na avenida Getúlio Vargas pelos três homens que, antes, permitiram que ela ligasse para uma amiga.

Ontem pela manhã, no entanto, a adolescente revelou que tudo não passou de uma invenção sua. O delegado apurou que a adolescente quis justificar o desaparecimento ao tentar chamar a atenção de D.J., 32 anos (só iniciais do nome divulgadas pela polícia). O rapaz já teria dito a A.C.P. de que os dois, até em razão da diferença de idade, não poderiam vir a ter um relacionamento amoroso.

Na semana passada, a garota disse à amiga S.S.R., 15 anos, que pretendia sair de casa. Anteontem, após a aula, A.C.P. foi até o trabalho de D.J. com a amiga, quando teria dito ao rapaz que queria fugir com ele. Segundo apurou a polícia, D.J. teria dito para A.C.P. que o que pretendia era impossível e que voltasse para a casa da amiga.

S.S.R. foi para casa, deixando A.C.P. sozinha. Conforme apurou Ronaldo Divino, a garota não retornou para casa, ficando andando pela cidade. A adolescente ligou para a amiga duas vezes, pedindo que ela entrasse em contato com D.J., para que ele fosse ao seu encontro.

Como o objetivo não foi alcançado, A.C.P. inventou a história do seqüestro e ligou para a família dizendo que havia acabado de ser liberada. Após ouvir A.C.P., o delegado a advertiu sobre as possíveis conseqüências da falsa comunicação de seqüestro.

O 1.º DP encerrou a investigação, devendo encaminhar o caso para a Delegacia de Defesa da Mulher (DDM), para que a conduta de D.J. seja investigada. Os familiares da menina também se mostraram surpresos com a história.

Caso Silvio Santos pode ter influenciado

O seqüestro da filha do empresário e apresentador Silvio Santos, Patrícia Abravanel, e depois do próprio empresário, na semana passada, em São Paulo, pode ter influenciado a estudante A.C.P., 13 anos, a inventar a história de que foi seqüestrada por três homens, em Bauru.

A psicóloga clínica Julia Hernandez disse que crianças e adolescentes, quando querem chamar a atenção de alguém, tendem a tonarem-se agressivos, inventar histórias e até simular situações, como fez A.C.P. Por isso, ressalta a psicóloga, os pais devem estar muito atentos aos filhos nessa faixa etária e manter diálogo aberto.

Ela explicou que, querendo atenção, é possível que o adolescente busque imitar modelos de comportamento, o que pode ter ocorrido com A.C.P. A estudante pode ter sido influenciada pelo caso Silvio Santos, que teve ampla atenção da imprensa. A garota pode ter inventado a história do seqüestro também buscando atenção.

Por isso, na opinião da psicóloga, a imprensa precisa tomar muito cuidado ao divulgar notícias, principalmente quando envolve pessoas famosas, que podem ser tomadas como modelo. Julia também preocupa-se com o efeito que a banalização da violência pode ter sobre crianças e adolescentes. O adolescente está muito vulnerável ao que vem de fora porque ainda está em formação, disse.

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