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Cancelamento de inadimplente cresceu

Paulo Toledo
| Tempo de leitura: 3 min

Levantamento do SPC mostra um aumento de 113% na quantidade de pessoas que limparam o nome em agosto.

O número de cancelamentos de inadimplência realizados pelos lojistas no Serviço de Proteção ao Crédito (SPC) teve um aumento de 113,25% em agosto, se comparado com julho, num salto de 1.943 para 4.668. Em relação a agosto do ano passado, quando foram 2.078 cancelamentos, o crescimento é de 99,36%. Sérgio Evandro do Amaral Motta, presidente da Câmara dos Dirigentes Lojistas (CDL), afirma que o aumento do número de cancelamentos foi provocado por negociações realizadas por lojas, com o objetivo de reduzir o índice de inadimplência.

Porém, na contramão do movimento nacional, que é de aumento de inadimplência, o comércio de Bauru registrou queda de 14,25% nos registros de novos devedores em agosto, com relação a julho, baixando de 5.333 para 4.668. Se comparado com o ano passado, quando foram feitos 4.554 registros, houve uma alta de 2,5%.

Para Motta, a tendência é de aumento da inadimplência, principalmente em razão do quadro econômico do País. Ele lembra que o setor enfrenta dificuldades para realizar as vendas e, depois, para receber por elas.

Com isso, a atitude dos lojistas é de máximo cuidado, inclusive na hora de receber o pagamento à vista em cheque. Isso provoca o crescimento das consultas. O posicionamento dos lojistas é de extrema cautela, tanto para vender a prazo quanto para receber cheque pré-datado, afirmou.

Isso explica, ainda, o crescimento do número de consultas feitas pelos lojistas, que teve aumento de 8,86% em agosto, atingindo 47.845, contra 43.952 de julho.

O presidente da CDL afirma que, apesar da segurança do recebimento nas operações com cartão de crédito, muitos lojistas têm resistência a essa modalidade, em razão do alto custo da taxa de administração, que é de 4%. Com isso, muitos preferem se arriscar em pegar um cheque pré-datado para não pagar a comissão para a administradora do cartão.

Para se ter uma idéia, segundo o levantamento do SPC, o número de cheques registrados como inadimplentes em agosto (1.048) teve um crescimento de 8,3% sobre os 968 de julho. Porém, teve uma queda de 31,7% em relação aos 1.380 de agosto de 2000.

Por outro lado, a exclusão dos cheques sem fundos do SPC teve queda. Os 144 cancelamentos de agosto foram 43% menos do que os 206 de julho e 66% menos do que os 239 de agosto de 2000.

Racionamento

Outro fator de influência negativa no comércio, segundo Motta, foi a questão do racionamento de energia. De acordo com ele, houve uma retração no consumo, por conta do temor das pessoas em relação a seus empregos serem atingidos pela crise.

O economista e chefe do Departamento de Economia da Faculdade de Economia da Instituição Toledo de Ensino (ITE), Wagner Aparecido Ismanhoto, disse que a crise energética reduziu a atividade econômica e muitas empresas (lojas) estão antecipando promoções em busca de fazer caixa. Por outro lado, essa situação reflete, também, na segurança que a pessoa tem para contrair uma dívida. Essa situação é reforçada pelos juros altos que estão sendo aplicados.

Para ele, a situação apresentada não é favorável ao comércio. Segundo Ismanhoto, as características econômicas de Bauru fazem com que os impactos da macroeconomia tenham um reflexo rápido. Assim, com a redução geral de consumo, o primeiro setor atingido é o comércio, que tem uma importância grande para a cidade. O primeiro reflexo é no comércio. Mas, o principal afetado é a indústria, que não recebe encomendas e enfrenta os maiores problemas, afirmou.

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