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Magoado, Dota Jr. desfilia-se do PPS

Gilmar Dias
| Tempo de leitura: 3 min

Declaração de Walter Costa à sindicância da escuta e indiferença do partido são os motivos apontados pelo vereador.

O vereador Milton Dota Jr., líder do prefeito Nilson Costa (PPS) na Câmara Municipal, anunciou, ontem, sua desfiliação do PPS. O parlamentar tomou a decisão depois de analisar o processo da comissão de sindicância que apurou a instalação de equipamento de escuta na sala da presidência do Legislativo.

Ele se sentiu apunhalado pelas costas ao tomar conhecimento das declarações do presidente da Câmara, Walter Costa (PPS), à sindicância da escuta. Costa afirmou à comissão que ouviu na sala da presidência, onde estavam outras pessoas, que o vereador Milton Dota Jr. costuma andar com um aparelho gravador no bolso da camisa e que grava pessoas que conversam com ele.

Dota Jr. entendeu a declaração de Walter Costa como uma traição. Me senti apunhado pelas costas, traido por um companheiro de partido. Apesar de não ter votado no Walter para a presidência da Casa, sempre lhe fui leal. Não vou continuar convivendo com ele (Walter) na mesma agremiação.

Outro motivo apontado pelo vereador para se desfiliar do PPS foi a indiferença e a falta de solidariedade dos dirigentes e militantes da legenda que, segundo ele, em nenhum momento lhe deram apoio no caso que envolve a instalação do aparelho de escuta. O parlamentar tem seu nome citado, sem provas, como sendo um dos suspeitos.

O partido, em momento algum, me procurou para saber o que estava acontecendo, não se solidarizou comigo. Os chamados adversários é que se solidarizaram comigo. À exceção fica para o coronel Marsola (Antonio Sérgio Marsola, chefe de Gabinete da Prefeitura).

Dota Jr. explicou que depois que leu atentamente todo o processo da sindicância começou a fazer um retrospecto dos acontecimentos dos últimos 60 dias. Meu escritório foi invadido quatro vezes neste ano. Eu tenho Boletim de Ocorrência e a polícia sabe disso. Nunca levaram nada do meu escritório. Arrebentaram portas, subiram sacada de quatro metros e arrebentaram janela.

O parlamentar afirma que não tem pistas dos criminosos e diz, sem dar mais detalhes, que após a divulgação do relatório final começou a juntar as peças. Não desconfio de ninguém. Quem tem que desconfiar é a polícia, completa com ar de mistério.

O fato de estar se desfiliando do PPS não quer dizer que Dota Jr. vai passar a fazer oposição à Administração Municipal no Poder Legislativo. Ele explicou que continuará na base que dá sustentação ao governo e que, se depender do prefeito Nilson Costa, continuará sendo seu líder na Casa.

Sobre o processo de sindicância que apurou a instalação do equipamento de escuta na sala da presidência da Câmara, o vereador acha que há inúmeras vertentes a serem investigadas, desde o início do caso, cujas provas não foram esgotadas.

De repente um ouvi dizer envolve o nome de dois vereadores, o do próprio Walter Costa e o meu. Ouvi dizer, pelo que eu aprendi na Faculdade de Direito, não é prova nem para fazer Boletim de Ocorrência. Ouvi dizer não leva a nada. Mas infelizmente, não sei porque, colocaram isso no papel, o que entendo como sendo uma leviandade.

Com a desfiliação do PPS, Dota Jr. vai perder a chance de disputar as eleições do ano que vem. Os dirigentes do partido e ele próprio estavam se articulando em Bauru e região para o lançamento de sua candidatura à Assembléia Legislativa ou até mesmo à Câmara dos Deputados.

O parlamentar garantiu que ainda não recebeu nenhum convite de partidos para se filiar. Não deu tempo. Vou pensar nisso no futuro.

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