Contamos, hoje, com mais de 80% de funcionários em mobilização por melhores salários e, mais do que isso, em defesa de melhores condições de trabalho no que toca a todas as questões de nossas atividades do dia-a-dia (qualidade de mobiliário, computadores, materiais de serviço, etc.), onde também pesa o abandono a que somos submetidos quando sentimos sede e não temos água potável para beber e precisamos de sanitários e não temos sequer papel higiênico.
Contudo, esta grande mobilização de funcionários do Judiciário passa por um eixo de discussão maior que é a preservação dos direitos garantidos na Constituição (direito a greve, irredutibilidade de salários dos funcionários públicos), diga-se de passagem direitos estes referendados pelo STJ, de maneira que em estando com esta luta em movimento defende-se por extensão toda a noção das garantias constitucionais, que até mesmo por reflexo desta ação, acabará por beneficiar todas as demais categorias de funcionários públicos.
Se pensarmos maior ainda, podemos procurar espaço dentro de nosso movimento para agenciamentos que nos levarão a concretizar ações em defesa de todos os trabalhadores assalariados de uma forma geral, pois devemos ter em vista que estamos às vésperas da provavelmente maior e mais importante eleição pós-ditadura. Como o caráter de nosso arrocho salarial, de nossas condições de trabalho e da miserabilidade do povo brasileiro em geral estão apoiadas, queiramos ou não, nas atitudes políticas dos mandatários deste país, devemos buscar a nossa conscientização individual e coletiva JÁ. Dentro deste quadro de paralisação, que tem demonstrado grande capacidade de mobilização e organização, há uma pequena parcela de colegas cartorários que não vêem na fala da maioria contemplada sua vontade, mas o movimento é democrático, aberto e tem as suas ações preparadas para receber novas visões que possam enriquecê-lo, até mesmo porque só teremos a ganhar com isso, inclusive você que está em cartório.
Para você que está trabalhando pensar na cama (reflexão): seja o agente de sua história, aderindo ao movimento de paralisação, pois em permanecendo em trabalho será, queira você ou não, sujeito controlado pelas elites do tribunal. Neutralidade não existe. Quando não nos manifestamos estamos efetuando uma escolha. A escolha é sua e as conseqüências de todos. (*) (A serviço de quem?) (Aguinelo de Alcântara Tavares - RG 25.393.607 - Vanessa Ito de Camargo - RG 20.409.995 - Silvio Luis de Arruda - RG 17.419.125)