O desfile cívico em comemoração ao Dia da Independência do Brasil levou entre 11 e 12 mil pessoas ao Sambódromo ontem, em Bauru. A Secretaria Municipal de Esportes e Lazer (Semel) informou que os grupos inscritos para o desfile somavam aproximadamente 3,5 mil integrantes. As arquibancadas, cuja capacidade é estimada em 8 mil pessoas, estavam praticamente lotadas. E ainda havia muitas pessoas nas calçadas, em ambos os lados da avenida. A apresentação contou com policiais, escolas e manifestantes (leia mais no boxe).
O ato cívico começou por volta das 9 horas, com o hasteamento das bandeiras e a execução do Hino Nacional. Em seguida, o comando do desfile avançou pela pista, dando início às apresentações. Os grupamentos militar e civil foram os primeiros a atravessar a avenida. Policiais, bombeiros e soldados exibiram viaturas, uniformes e instrumentos de trabalho, com destaque especial para a cavalaria e o policiamento ciclístico. A Escola de Ciclismo Mirim Busca-pé, que já formou mais de 100 jovens ciclistas, levou vários alunos para a avenida.
O grupamento especial foi o segundo a passar pela pista. A abertura ficou por conta de representantes de 44 Escolas Municipais de Educação Infantil (Emeis), seguidos por entidades como a Apae, Apiece, Lar-Escola Rafael Maurício, Sorri, Legiões Mirim e Feminina, escolas de futebol e outros jovens cidadãos.
Em seguida, veio o grupamento escolar, trazendo 19 instituições de ensino da cidade, incluindo escolas estaduais, municipais e particulares. As evoluções e bandas animaram o público, com destaque especial para a tradicional apresentação da Banda do Liceu Noroeste. Ao todo, 51 grupos atravessaram a avenida.
Manifestações
Ao final da passagem das escolas, dois grupos de manifestantes atravessaram a avenida. Cerca de 70 funcionários do Departamento de Água e Esgoto (DAE) participaram das festividades protestando contra um projeto de lei que poderá permitir a privatização de todos os serviços municipais de água e esgoto.
Com a aprovação desta lei, Bauru poderia deixar de ser a dona da própria água. O abastecimento poderia ser entregue a qualquer empresa pública ou privada, nacional ou estrangeira, sem que houvesse nenhuma discussão, nem mesmo indenização, afirmou o presidente do DAE, Sérgio Silva Macedo, que participou do desfile.
Macedo lembrou que o preço cobrado pela água fornecida pela autarquia é um dos mais baixos do País e que as companhias privadas chegam a cobrar cinco vezes mais. O prefeito Nilson Costa, que acompanhou todo o desfile, disse ser solidário à manifestação dos servidores, considerando que, além de barato, o serviço de abastecimento funciona muito bem. Essa tentativa de aniquilar com os serviços autônomos de água e esgoto não tem nosso apoio. Nós pretendemos manter o DAE com a sua estrutura atual, completou.
O desfile de 7 de Setembro, em Bauru, foi encerrado com a apresentação do 7.º Grito dos Excluídos, que reuniu aproximadamente 250 pessoas de entidades e sindicatos ligados à Central Única dos Trabalhadores (CUT). De acordo com o diretor do Sindicato dos Bancários, Marcos Silvestre, o Grito foi organizado em pelo menos 2 mil localidades por todo o Brasil e pretendia alertar a população que uma verdadeira pátria livre depende de emprego, salário adequado, reforma agrária, saúde e educação de qualidade para todos.
Para uma verdadeira independência, precisamos derrubar o governo Fernando Henrique, o FMI (Fundo Monetário Internacional), precisamos dizer não à Alca (Área de Livre Comércio das Américas), temos que pedir a revogação da Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF), dizer não às privatizações e ao pagamento da dívida externa, disse.
No encerramento do desfile, alguns destes manifestantes também protestaram contra a administração municipal. Da mesma forma como denunciamos o Governo Federal, reclamamos do Governo Municipal, porque é sempre a mesma ladainha. Eles dizem que não há verba para a saúde, para a educação, para aumentar salários, mas são feitos acordos para o pagamento de dívidas e não há uma articulação do prefeito junto a outros prefeitos para tentar derrubar a LRF, como os de esquerda estão fazendo, já que todos estão sufocados. Bastaria o prefeito se engajar num movimento destes, defendeu Silvestre.
Questionado sobre o protesto, Nilson Costa disse que permaneceu no palanque até o fim, ouvindo todas as manifestações democraticamente, mas não teceu comentários específicos. Apenas convidou aqueles que descrêem no futuro de Bauru a participar de eventos como este, para ver o que representa, em termos e de educação e civismo, a nossa Bauru. Pois, assim, talvez houvesse menos pessimismo em relação aos nossos destinos, completou.