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O fogo consumiu uma área equivalente a 20 campos de futebol, quase atingiu a reserva florestal que fica ao lado e ameaçou até mesmo o Zoológico.

Sabrina Magalhães
| Tempo de leitura: 4 min

O incêndio destruiu cerca de 150 mil metros quadrados da área da reserva. Vandalismo pode ter sido a causa.

Um incêndio ocorrido ontem à tarde queimou cerca de 15 hectares (150 mil metros quadrados) de mata (estimativa inicial), no Jardim Botânico de Bauru e ameaçou atingir a reserva florestal do local. O fogo começou por volta das 14 horas, numa cachoeirinha que divide o Zoológico Municipal com a Unesp e só foi controlado por volta das 17 horas, com o auxílio de caminhões-pipa e homens com abafadores (vassouras de borracha). A direção do Jardim Botânico acredita que o incidente tenha sido provocado por vândalos que visitavam o local.

Foram necessários cerca de 20 homens para conseguir controlar o fogo, incluindo funcionários do Jardim Botânico, bombeiros, policiais florestais, funcionários do Departamento de Água e Esgoto (DAE) e da Prefeitura Municipal. Ao todo, de acordo com o tenente Marcelo Sanches, da Polícia Florestal, foram gastos cerca de 20 mil litros de água. Mas o controle das chamas só foi possível com o uso de abafadores, já que a mata fechada impedia o acesso dos caminhões.

De acordo com o diretor do Jardim Botânico, Luiz Carlos de Almeida Neto, faltaram apenas 30 metros para que o fogo atingisse a reserva florestal. Se isso acontecesse, seria impossível conter as chamas, segundo os bombeiros, porque a mata é fechada, os caminhões de água não chegariam ao local, as árvores são altas e estão secas. As labaredas atingiriam uma altura tamanha que impossibilitaria a permanência dos homens. Eles informaram que, na parte mais baixa da mata, as chamas chegaram a atingir cinco metros de altura e que o incêndio só não foi pior, porque o vento cedeu.

Acesso

O ideal seria a diretoria do Jardim Botânico fazer um serviço com várias aberturas e trilhas por onde pudessem passar caminhões e viaturas, porque o acesso foi a nossa grande dificuldade, comentou o sargento do Corpo de Bombeiros, José Correia de Melo.

Questionado a respeito de estudos neste sentido, o diretor do Jardim Botânico explicou que há pontos onde não é possível fazer os aceiros (aberturas na mata), por tratar-se de área de preservação. O correto é fazer em torno da área. Já temos um iniciado em torno da rodovia, mas não podemos completar, porque há uma área em litígio, na qual não podemos mexer. Do outro lado também há uma estrada paralela, que já é um aceiro. A próxima ação do Jardim Botânico é cercar deste outro lado, comentou.

Na divisa com a Unesp, segundo ele, existe um aceiro que já foi muito útil no combate deste incidente de ontem, permitindo a aproximação dos caminhões ao foco do incêndio. Só que, quando faltava pouco para controlar o fogo, a água do caminhão acabou, disse.

Almeida Neto ressaltou que falta fazer um estudo na área interna do Jardim Botânico, abrir pequenos aceiros, mesmo agredindo algumas áreas, mas que permitam às equipes de controle chegar mais perto dos focos. O controle das chamas depende de um conjunto de fatores que se somam. Precisamos ter material e homens na hora certa e precisamos que o vento colabore. Estes incidentes vão nos dando experiência para aperfeiçoar nosso trabalho. Vamos estudar caminhos, afirmou.

O diretor disse, ainda, que uma providência que precisa ser tomada com urgência é a aquisição de um caminhão-pipa próprio, que permaneça no Jardim Botânico. Porque temos 13 funcionários em dias normais. Se tivéssemos um caminhão-pipa aqui, poderíamos ter conseguido controlar o incêndio no começo. O segredo de apagar fogo é chegar rápido e ter gente no momento certo, completou.

Segundo ele, havia apenas quatro funcionários trabalhando ontem no local, em esquema de plantão, por tratar-se de final de semana.

Efetivo

O sargento do Corpo de Bombeiros informou que havia quatro homens participando da operação. Questionado, ele admitiu que este não era um número suficiente, tendo em vista a extensão do incêndio. De acordo com Melo, o controle só foi possível graças à soma de esforços. Nosso efetivo é suficiente para situações de rotina, mas, em situações como esta, torna-se insuficiente, ressaltou.

Além dos bombeiros, havia quatro homens da Polícia Florestal, quatro funcionários do Jardim Botânico e cerca de nove funcionários da Prefeitura, além do DAE, participando da operação. Dois visitantes, que estavam no local no momento do incêndio, também auxiliaram no combate às chamas.

Zôo

Indagado sobre os riscos de que o incêndio atingisse o Zoológico, Almeida Neto comentou que dependeria do sentido do vento. Mesmo assim, ele explicou que o que ajudou o fogo a alastrar-se no Jardim Botânico é a presença de braquiária, um tipo de capim que tem as bases secas, como palha. É um capim alto, que forma labaredas muito altas.

No lado do Zoológico, onde há vegetação natural, o que queima é uma camada de folhas secas sobre o solo que é facilmente apagada com o uso de abafadores. Acredito que, se o fogo tivesse passado para lá, teria queimado até bem próximo das jaulas, mas sem grandes prejuízos, apenas um grande incômodo e estresse. Creio que não chegaria a ameaçar os animais ou visitantes, concluiu.

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