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DESENGATEM A RÉ!!

Ivan Garcia Goffi
| Tempo de leitura: 2 min

Não é possível. Será que Cabral veio e aportou suas naus de marcha a Ré para que esse País não consiga dar um passo à frente sem ter que voltar dois? A bola da vez é a tentativa de mascarar mais uma deficiência nacional: a pobreza e o racismo velado. Desde os tempos pós-abolicionistas em que, via de regra, o negro está condenado à periferia e aos guetos, sem condições de subsistir com qualquer dignidade. A situação jamais foi modificada e os séculos passaram-se. Contudo, hoje se está questionando a necessidade de reserva de vagas para negros em faculdades, pois sequer 2% dos universitários são negros num País onde 70% os são. É a hipocrisia velada tentando encobrir o sol com a peneira!

As faculdades têm - e deverão continuar tendo - um processo seletivo calcado no conhecimento e capacidade intelectiva dos candidatos. Ninguém deixa de entrar por ser branco, negro, amarelo ou vermelho. Ocorre que, como se sabe notoriamente, a falência do ensino público (agradeçamos ao Ministro Paulo Renato e FHC) não capacita o estudante de baixa renda a disputar mercado ou vagas em universidades. Ora, se grande parte da população negra está concentrada nos bairros de baixa renda, não será favorecendo-lhes com esmolas que se estará fazendo justiça. O mais sensato e inteligente seria melhorar as condições do ensino público e as condições de vida, erradicar a pobreza para assim dar ao negro condições de disputar quaisquer vagas. Isso seria dar-lhes dignidade, pois não há prazer maior que o da disputa e da conquista suada por mérito próprio.

Reservar vagas a quem não tenha capacitação intelectual é um retrocesso inimaginável que destilará o veneno da discriminação. Se essa lei entrar em vigor, acarretará uma discriminação invertida, pois gerará um fracionamento na classe estudantil; enquanto a maioria atravessa as noites estudando para disputar uma vaga, outros poderão entrar sem o mínimo esforço. Provavelmente, a dicotomia discente nesse caso será mais flagrante que em qualquer fase de nossa história. Esse recurso de reserva pode ser válido - e perigoso - em países como os EUA ou a África do Sul, onde os negros, mesmo aprovados em concursos ou universidades, são impedidos de assumir suas vagas somente por sua cor. Felizmente não é o nosso caso.

Enfim, parece que é mais uma típica medida de governantes com retardo mental, que incentivam o sucateamento do ensino para poder contar com as estatísticas favoráveis. Preferem abolir as provas a ter que trabalhar contra a repetência; preferem facilitar o acesso a aceitar a deficiência no ensino público ou melhorar as condições de vida da população, tudo para agradar aos organismos internacionais e continuar a receber verbas das ONGs. Desengatem a Ré, pelo amor de Deus!!!! Se já não for tarde demais, o futuro do Brasil agradece. (Ivan Garcia Goffi - OAB/SP 165.173)

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