Geral

Educar para a honestidade

(*) N. Serra
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Não se tenha a ilusão de que os escândalos das enormes fraudes descobertas em vários setores da vida pública do País terão o epílogo rápido e justo como está sendo desejado pelo Governo. E, também, não se constituirão nos últimos rasgos de corrupção na administração governante já surgidos à tona na abertura da clareira que os poderes constituídos estão levando a efeito na tentativa de colocar paradeiro no manancial de águas turvas e fétidas por onde navega, há alguns anos, a canoa da moral da gerência nacional. A corrupção não deverá ter, assim, final pronto e imediato, como desejariam o Presidente e seus ministros e assessores porque, como se percebe desde os primeiros instantes da sua descoberta, os seus paredões, ou melhor, fortalezas de obstáculos, começaram a pulular como cogumelos e aí estão fazendo milagres para fraudar também os resultados dos inquéritos e sindicâncias existentes, recorrendo, inclusive, os seus diversos mentores, a ameaças de morte contra os que estão começando a pegá-los pelo pé... Paralelamente, como admitir-se também que os vários tipos de resvalos, produtores de rendas ilícitas, desapareçam do cenário ou, ao menos, diminuam os passos de sua caminhada acelerada, se os seus construtores estão bem-estruturados e alicerçados para novas jogadas como autêntica seleção campeã do mundo?

Parte daí o receio, que assalta os verdadeiramente honestos, de que jamais venham a ter atendimento justo e seguro por culpa direta dos ininterruptos desvios de verbas deste ou daquele setor. Parte daí, igualmente, o apelo desses brasileiros, com camisa ou descamisados, para que o Governo não só apure os escândalos e os puna com corretivos plenamente exemplares, por mais rigorosas que sejam, mas não fique nas pálidas providências que somente tranquem portas depois dos roubos, e, por outro lado, adote medidas inteiramente saneadoras, educando os seus funcionários para a honestidade e a probidade. É inegável que os corruptos são exceção, pois, felizmente, a grande maioria dos servidores honra a função que exerce. Mas, a educação para o zelo e a correção não pode ser esquecida, nem pode caminhar em ocasiões fortuitas, a fim de que não estimule o aparecimento de mais desonestos que, como o joio, possam descaracterizar a massa do trigo... É a nossa opinião.

(*) O autor, N. Serra, é o jornalista responsável do JC e delegado regional da Associação Paulista de Imprensa e da Ordem dos Velhos Jornalistas do Estado.

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