Consulado do Brasil em Nova York não divulgou os nomes dos procurados; não havia brasileiros no Pentágono.
São Paulo - Há 28 brasileiros desaparecidos em Nova York desde o atentado ao World Trade Center. A informação foi divulgada ontem pelo Consulado do Brasil em Nova York. No Pentágono, em Washington, não haveria brasileiros, segundo o Itamaraty.
O consulado não informou os nomes dos "procurados" - termo preferido pelas autoridades - , para "não causar pânico às famílias". Mas a reportagem confirmou que entre eles estão: os paulistanos Ivan Kyrillos Fairbanks Barbosa, 30 anos, e Anne Marie Sallerin Ferreira, 29 anos; e a mineira Sandra Fajardo Smith, 37 anos. Ivan e Anne são funcionário da corretora Cantor Fitzgerald. Sandra, da March Inc.
As famílias dessas três pessoas já haviam sido localizadas pela reportagem e confirmado a ausência de notícias. Elas esperam a abertura do espaço aéreo norte-americano para embarcar para os EUA.
Enquanto isso, parentes e amigos, nos EUA, espalham cartazes com as fotos dos desaparecidos por hospitais da cidade e criam sites em busca de informações. A esperança, dizem os familiares, é de que eles possam ser identificados por médicos e voluntários.
"Ninguém consegue entrar nos hospitais. Tudo o que se pode fazer é ficar na porta, colar cartazes e aguardar", disse Terezinha Fajardo, tia de Sandra. Os pais delas saíram de Belo Horizonte com os dois filhos para evitar o assédio. As famílias de Ivan e Anne não estão saindo de casa.
O consulado informou que deu entrada em um hospital uma ferida chamada Sandra Smith, mas as autoridades não sabem se é a brasileira. O nome aparece também em uma lista de 15 mil supostos sobreviventes, na Internet.
Na lista do consulado há ainda o nome de Ana Lúcia Mello, cuja família não foi localizada ontem pela reportagem. Para o consulado, essas pessoas só poderão ser consideradas juridicamente desaparecidas depois de sete anos.
O consulado publicará hoje no "The New York Times" um anúncio pedindo que brasileiros que ainda não conseguiram contato com suas famílias procurem as autoridades brasileiras. O anúncio custará US$ 2 mil.
Ontem, o cônsul-geral do Brasil em Nova York, Flávio Perri, anunciou que as buscas feitas pelos funcionários do órgão - por telefone e pessoalmente - conseguiram localizar 43 brasileiros. Alguns eram funcionários do World Trade Center que estavam viajando. Outros estavam na casa de amigos.
Desde o ataque, o consulado já recebeu 490 ligações de pessoas buscando informações. Outras 300 entraram em contato, no Brasil, com o Itamaraty. A página do consulado teve 7 mil acessos desde terça-feira (normalmente, são 13 mil por mês).
Segundo as informações do cônsul, 40 funcionários do consulado estão se revezando 24 horas por dia para atender aos brasileiros ilhados na cidade ou que buscam informações.
Estima-se que cerca de 300 mil brasileiros vivam na grande Nova York, mas apenas mil estão cadastrados pelo consulado.
Uma equipe está procurando os desaparecidos pelos telefones que costumavam usar e percorrendo hospitais. Dez foram visitados, mas não há notícias de feridos com a nacionalidade confirmada.
Outros funcionários ficam diante de computadores e aparelhos de rádio e TV em busca de informações nos noticiários nas lista de desaparecidos e feridos.
A polícia de NY pediu mais 72 horas a contar de hoje para começar a procurar oficialmente os brasileiros ainda desaparecidos.
Das empresas com sede no WTC, 21 são associadas da Câmara de Comércio Brasil/EUA. Três delas - Brown & Wood, Frenkel & Co. Inc. e Thacher Proffitt- informaram que todos os seus funcionários estão bem.
No WTC havia pelo menos uma empresa brasileira - a MP Import Spy Shop, instalada havia uma semana no 37.º andar da torre 1. No comando do escritório estava o paulista Jacob Cleiman, 26 anos. Ele e outros sete brasileiros contratados para trabalhar no local estão desaparecidos.