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Movimento quer salvar estação da NOB

Gilmar Dias
| Tempo de leitura: 3 min

Símbolo do auge das ferrovias, o imponente prédio da praça Machado de Mello se confunde com a história da cidade.

Treze mil metros quadrados de área construída, distribuídos em três pavimentos, e 62 anos de história, de muitas histórias. Encravada na frente da praça Machado de Mello, a falta de vida na imensa massa de concreto que é a estação ferroviária da Noroeste do Brasil (NOB) começa a incomodar setores organizados da comunidade.

Ninguém se lembra quando soou o último apito de trem na gare da NOB, mas a sociedade sabe da sua importância histórica para o Município. O edifício é o marco do auge das três ferrovias que fincaram seus trilhos em Bauru: Sorocabana, Noroeste e Paulista. Inaugurada no dia 1.º de setembro de 1939, a estação, que no passado era motivo de orgulho para a cidade, encontra-se abandonada há mais de quatro anos.

Para reverter esse quadro de abandono, o Movimento SOS Ferrovia decidiu, em reunião realizada ontem, promover um ato em frente ao histórico prédio, no próximo dia 28, a partir das 10 horas. O evento já tem nome: Ação na Estação. A intenção é chamar a atenção da população e mobilizar as lideranças políticas do Município, para se tentar buscar uma saída alternativa, que permita a revitalização e a reutilização do prédio.

O prefeito Nilson Costa (PPS) chegou a ensaiar a transferência da Prefeitura para a praça Machado de Mello, mas o valor exigido pela Rede Ferroviária Federal S/A (RFFSA) pelo imóvel inviabilizou o projeto. A sexagenária estação continua sendo vítima da ação do tempo e, principalmente, do processo de privatização das ferrovias brasileiras, que priorizou o transporte de cargas em detrimento do de passageiros.

Segundo a historiadora Lidia Maria Vianna Possas, o Ação na Estação deve tomar o prédio de assalto, mas de maneira simbólica. Ela conta que uma série de atividades estão sendo programadas para o dia, desde mímica e performances, até declamação de poesias em alusão à estação.

Num primeiro momento, o Ação na Estação vai demonstrar o luto, o repúdio pelo abandono do prédio. Mas esse dia representará o início de uma luta para a retomada da estação, com a conseqüente revitalização do local, diz a animada historiadora.

Além de ter como objetivo chamar a atenção para o estado de abandono em que se encontra a estação, o evento pretende aprofundar as discussões sobre a letargia das ferrovias brasileiras após o processo de privatização.

Esse ato não pode ser simplesmente o desenterro da sucata. Além da simples recuperação da memória ferroviária, temos que recolocar a questão da ferrovia como uma prioridade civilizadora, diz o coordenador do Centro Regional de Preservação da Memória Ferroviária, historiador João Francisco Tidei de Lima.

Para ele, a estação de Bauru não é um prediozinho de beira de linha. Ela significa muito para Bauru e para toda a região, principalmente a Noroeste. Infelizmente, a memória ferroviária está sendo destruída e dilapidada de maneira selvagem pela forma como foi privatizada a ferrovia. Foi uma privatização predatória, avalia.

Os integrantes do Movimento SOS Ferrovia pretendem avançar nas discussões sobre a importância das ferrovias para Bauru. Segundo a vereadora Majô Jandreice (PC do B), o grupo está organizando o 1.º Ciclo de Debates, que discutirá o tema Ferrovia, Cidadania e Identidade. O evento, agendado para o período de 21 a 24 de novembro, será realizado no Teatro Municipal e reunirá representantes de cidades da região que convivem com o problema do abandono de estações e galpões ferroviários.

Majô explica que o ato do próximo dia 28 será o início da construção de uma mobilização que visa resgatar a estão da NOB. Queremos chamar a atenção da população para o que está ali.

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