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Paz e guerra: uma reflexão social

Daniela Bochembuzo
| Tempo de leitura: 3 min

Dia Mundial da Compreensão, amanhã, deve ser lembrado por aqueles que idealizam um mundo com mais justiça social

Amanhã é Dia da Compreensão Mundial. O luto gerado pelas ações terroristas nos Estados Unidos, o aumento de seqüestros e outras ocorrências violentas no Brasil e a incrível continuidade de conflitos armados gerados por diferenças étnicas e religiosas em pleno século 21 tornam a reflexão em torno da data uma obrigação social. A compreensão mundial com vistas a paz é um objetivo complexo, principalmente quando se alarma a possibilidade de ocorrer a 3.ª Guerra Mundial, mas é uma necessidade premente.

Neste momento, é difícil se falar em paz, mas, por isso mesmo, este é o momento mais propício, opina o filósofo Clodoaldo Meneguello Cardoso, coordenador do Núcleo pela Tolerância da Universidade Estadual Paulista (Unesp), de Bauru. A própria discussão em torno da paz já é uma intervenção social, afirma a psicóloga Sonia Maria Alves Paschoal, professora do curso de Psicologia da Universidade do Sagrado Coração (USC), de Bauru.

Ao contrário do que muitas pessoas pensam, o debate sobre a paz envolve muito mais do que a reflexão sobre como instalar a harmonia entre os povos. Paz não é só respeito, tem o seu lado social também e isso passa pela distribuição eqüitativa de renda. Se pensarmos assim, o Brasil está muito distante da paz, diz o historiador Maximiliano Martin Vicente, professor do Departamento de Ciências Humanas da Unesp, em Bauru.

No Brasil, a distância da eqüidade sócio-econômica é uma realidade desnuda e que pode mensurada a partir de dados oficiais, como os que apontam que 53% das riquezas nacionais estão concentradas nas mãos de 1% da população. Bauru reflete essa situação.

Aqui, de acordo com dados da Secretaria Municipal do Bem-Estar Social (Sebes), 80 mil pessoas estão na linha da pobreza ou abaixo dela, o que significa dizer que recebem cerca de um salário mínimo por mês e não têm acesso a bens, serviços, atividades esportivas e de lazer, emprego e qualificação profissional.

Entre todas as restrições impostas pela exclusão, a da educação é que incidirá mais penosamente na vida dessas pessoas, alertam pesquisadores. Sem formação, o marginalizado tende, inclusive, a ter mais dificuldades para compreender a necessidade de se debater a justiça social, entre outras instâncias da paz.

Mas essa dificuldade também é percebida entre estudantes, em razão da ausência de metodologia adequada para se discutir a questão, aponta a psicóloga Sonia Paschoal. Os estudantes têm interesse em discutir o assunto, mas faltam recursos metodológicos. A educação está sem rumo. Falta formação ao aluno, em todos os níveis, por não ter subsídios teóricos para análise, diz.

Sem conteúdo, o aluno encontra dificuldades para debater o momento atual, bem como para discutir a cultura pela paz. Mesmo assim, Sonia defende que este é o momento propício para se iniciar o debate. Será pior se deixarmos para depois. Todas as instituições devem se envolver neste processo. Fornecer subsídios para análise é uma questão de vontade política, de postura pessoal do educador e do cidadão. O negócio é agir, avalia a psicóloga.

O discurso de Sonia encontra eco nas palavras e ações de organizações como a Comissão de Justiça e Paz da Diocese de Bauru. Uma das atividades do grupo, formado por leigos e membros do clero da Igreja Católica, é difundir as bases da Declaração Universal dos Direitos Humanos e propor soluções para o cumprimento desses direitos, como explica o advogado Itamir Crivelli, secretário-executivo do órgão.

Não queremos difundir a discórdia, mas incentivar o encontro de novos caminhos. Um deles envolve o investimento do governo na construção de escolas que ofereçam ensino de qualidade. Com educação, abrem-se novas perspectivas de vida que não a da violência. No mundo onde não existe educação, não há difusão de conhecimentos e não há diálogo, que é a base de entendimento entre os povos, sustenta Crivelli.

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