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Terror nos EUA prejudica a indústria

Paulo Toledo
| Tempo de leitura: 3 min

Apesar de ainda não precisar quanto, Ricardo Coube diz que ataques vão afetar a indústria brasileira

O atual cenário econômico, com uma série de incertezas provocadas pelos ataques terroristas ocorridos nos Estados Unidos, na semana que passou, é desfavorável para a indústria brasileira. A análise é de Ricardo Marques Coube, vice-presidente estadual eleito do Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Ciesp), para quem ainda não é possível quantificar o prejuízo do setor industrial. A resposta, diz, só virá nas próximas semanas, com as reações comerciais do povo dos Estados Unidos e da Europa em relação ao consumo de produtos. Se houver retração de compras nesses mercados, a situação pode ser de maior dificuldade para as indústrias dos países que têm negócios nessas áreas, como é o caso do Brasil.

De acordo com Coube, a curto prazo, a questão econômica relacionada aos ataques terroristas já afetaram a indústria nacional, com o câmbio do dólar chegando quase a R$ 2,70, por exemplo.

Ele acredita que deverá ocorrer uma retração maior à importação de produtos, em vários países, o que deverá atingir, em cheio, as exportações brasileiras. Deverá sobressair um protecionismo maior que, esperamos, também se limite a um curto prazo, afirmou.

O vice-presidente estadual do Ciesp afirma que a questão dos juros é uma incógnita que só daqui a alguns dias será possível ter a certeza do rumo que tomará. Mas, o que deve balizar todas as influências econômicas para a indústria brasileira e mundial será a reação comportamental adotada, principalmente, pelo consumidor norte-americano.

Até agora, os bancos centrais, tanto o norte-americano quanto dos principais países da Europa, estão irrigando a economia, inclusive da Ásia, com dinheiro, para manter a liquidez do mercado e estimular o consumo e a atividade econômica. Como o povo vai reagir, só nas próximas semanas conseguiremos avaliar, para termos uma projeção mais correta da economia futura, afirmou.

Ricardo Coube disse que o quadro atual, provocado pelo terror nos Estados Unidos, pode influenciar as negociações da Área de Livre Comércio das Américas (Alca). Porém, não arrisca a dizer se a influência será positiva ou negativa. Para ele, tudo vai depender da reação das autoridades norte-americanas em relação ao que esperam da economia depois que baixar a poeira.

O vice-presidente estadual do Ciesp não acredita que as empresas brasileiras que têm parcerias com norte-americanas devam encontrar problemas para a continuidade do trabalho, pois o Brasil é considerado um país muito neutro, liberal, transparente e sem problemas de relação com os outros países no campo econômico e cultural. Não vejo o Brasil sendo alvo de uma medida que possa nos prejudicar, a não ser uma tendência de protecionismo que altere a questão do comércio exterior. Aí nos prejudicaria, afirmou.

Para Ricardo Coube, esse cenário tenso, de risco de retaliação, também, pode influenciar o Brasil, em razão da dependência que tem dos investimentos externos. A continuidade da alta do dólar é outra possibilidade que é levada em consideração, pois afeta a formação de preços da indústria, principalmente para aquelas que dependem de insumos importados.

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