Sesc dá início hoje ao Projeto Tubo de Ensaio, que exibirá mensalmente trabalhos experimentais nas artes cênicas.
Abrindo espaço para a pesquisa teatral, o Sesc inicia hoje seu Projeto Tubo de Ensaio. A idéia é apresentar ao público experiências teatrais desenvolvidas em pesquisas realizadas por escolas e companhias teatrais, levando ao palco da unidade, mensalmente, apresentações de cenas-processos e outras obras experimentais.
A abertura do projeto, hoje, às 21 horas, será com estudantes de Artes da Unesp Bauru, apresentando O Beijo de Dorotéia na Valsa, resultado de pesquisa cênica de direção compartilhada, sobre a obra de Nélson Rodrigues. O programa traz ainda uma exposição fotográfica revelando todo o processo de trabalho desenvolvido pelos estudantes-atores.
Sob a coordenação da atriz e diretora Simone Violanti, O Beijo de Dorotéia na Valsa é uma adaptação livre composta de três textos rodrigueanos: Dorotéia, Beijo no Asfalto (foto) e Valsa n.º 6. Inclui ainda um texto solo, criado por uma das participantes, inspirado também na obra de Nélson Rodrigues. As encenações ocorrerão no ginásio e na praça do Sesc.
O processo
Para realizarem a montagem, os estudantes organizam-se em grupos, cada um procurando trabalhar as funções de ator, diretor, produtor, iluminador, sonoplasta, cenógrafo e figurinista. Para isso realizaram pesquisa teórica sobre cada função.
Com o trabalho coletivo proposto pela direção compartilhada foi possível incentivar artistas-alunos a pensar não só no produto final, mas em todo o processo de montagem, diz Simone Violanti.
Dorotéia
O texto Dorotéia, de 1949, foi classificado pelo estudioso Sábato Magaldi como peça mítica. Nélson fugiu ao realismo e acolheu, com essa peça, o surrealismo em sua obra.
É uma peça de vanguarda na qual é fácil perceber elementos que antecederam o teatro do absurdo da década de 1950. Em Dorotéia, encontram-se mitos: a beleza como pecado e a feiúra como salvação; a doença como purificadora da alma e a destruição do filho rebelde pela mãe. Desta parte da montagem participam Mara Jackeline Castro, Ana Beatriz Buoso, Lívia da Silva, Valquíria do Vale, Luiz Henrique Furtado e Viviane Scarabelo de Araújo.
Beijo no Asfalto
Beijo no Asfalto é uma das peças rodrigueanas chamadas de tragédias cariocas. Foi escrita em 1960 a pedido da atriz Fernanda Montenegro. O acontecimento deflagrador da tragédia é o beijo no asfalto, que cria conflitos que se multiplicam no núcleo familiar e nas relações com a polícia e a imprensa.
Nesta livre adaptação, o grupo mostra a crítica aos meios de comunicação de massa e sua abordagem sensacionalista. Nesta parte da montagem, estão os estudantes Mirella Martyniak, Kleiner Geraldi, Ana Paula Antoniazzi, Tamila Mendes, Guilherme Varanda, Daniel Barreto, Alex Castro, Marcondes Duarte, Philippe Lima, Luiz Henrique Furtado, Luiza Luizão, Kristoferson Zullu, Mirian Alves e Evandro Ambrosi.
Valsa n.º 6
No programa de estréia da Valsa n.º 6, em 1951, Nelson definia a peça como a história de uma menina assassinada aos 15 anos tentando lembrar-se do que aconteceu.
Nessa peça psicológica, mostram-se a natureza da menina com suas brincadeiras infantis, a descoberta da mulher, o pecado por ter faltado à missa, o pavor da loucura.
A montagem fica a cargo de Andréia Delicato, Marina Leite, Pitanga, Poliana Zilli, Sérgio Segal, Vander Vicentin e Sérgio Henrique.
Intervenções
Para interligar as propostas, serão encenadas breves pinceladas sobre a vida de Nélson Rodrigues, com intervenção cênica de Poliana Zilli, com o solo A Mão, baseado na obra rodrigueana, representando uma personagem em crise mental.
Coordenação
A diretora e atriz bauruense Simone Violanti é formada em Artes Cênicas pela Faculdade de Artes do Paraná e é especialista em teatro pela Universidade do Sagrado Coração (USC). Sua pesquisa discorre sobre direção compartilhada no teatro.
Serviço
O Beijo de Dorotéia na Valsa, hoje, 21h, no Sesc. Grátis. Av. Aureliano Cardia, 6-71. Informações: 235-1750.