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Bauru deve ter novo bispo em um mês

Gilmar Dias
| Tempo de leitura: 4 min

Processo de escolha, que se encontra no Vaticano, está em sua fase final; os nomes mais cogitados são de fora.

O Papa João II vai anunciar no prazo máximo de um mês o nome do novo bispo que vai comandar a Diocese de Bauru. Tradicionalmente, o Santo Padre divulga as decisões administrativas internas do Vaticano nas audiências públicas das quartas-feiras. A esperada notícia para os católicos do Município e da região deverá chegar antes do feriado de 12 de outubro, dia da Padroeira do Brasil, Nossa Senhora Aparecida.

Antes mesmo do anúncio oficial do novo bispo, já se especula uma lista com quatro nomes de religiosos que tem boas chances de serem indicados para a diocese. Todos são de fora. Monsenhor Enedir Gonçalves, que hoje ocupa a função de administrador diocesano e ainda comanda a Paróquia Universitária, chegou a ser cotado para ocupar o cargo, mas tudo indica que ele está fora da lista tríplice que chegou ao Vaticano.

Nada impede, no entanto, que Enedir seja elevado a bispo, sendo indicado para ocupar outra diocese que esteja com a função vaga. Nos últimos dias, as especulações em torno do assunto ganharam força. Segundo uma fonte bem relacionada com a Nunciatura Apostólica, em Brasília - que funciona como a Embaixada do Vaticano no País -, a Conferência Nacional dos Bispos Brasileiros (CNBB), com o aval da Santa Sé, trabalha para a indicação de bispos mais conservadores.

O caso de Bauru não é uma a situação isolada. O novo bispo da diocese deverá ter um perfil mais conservador, alinhado com as diretrizes do pontificado de João Paulo II. Os nomes dos bispos mais cotados para assumir a função, vaga há mais de um ano, são: dom Augusto Zini, dom Felippo Santoro (italiano radicado no Brasil) - ambos são bispos auxiliares da Arquiodiocese do Rio de Janeiro -, dom Mauro Morelli, atualmente em Duque de Caxias (Baixada Fluminense) - único que destoa da linha conservadora a qual pretende se imprimir na Diocese de Bauru.

Nos bastidores, especula-se que dom Mauro estaria disposto a aceitar o convite e que até teria articulado sua indicação, já que seus familiares residem em Penápolis. Um outro nome que ganhou força nos últimos dias foi o de dom Irineu Danelon, bispo de Lins.

Burocracia religiosa

Além de correr no mais absoluto segredo, o ritual cumprido pelo Vaticano para escolher e indicar um novo bispo é minucioso. Na média, a Santa Sé não define um processo dessa natureza em menos de um ano. Para se ter uma idéia, dom Aloysio Leal Penna deixou a direção da Diocese de Bauru no dia 27 de agosto do ano passado, quando foi empossado como arcebispo da Arquidiocese de Botucatu.

Desde então, iniciou-se a movimentação da lenta máquina administrativa do Vaticano em busca de um nome para substituir dom Aloysio. A primeira fase do processo começa no Brasil, através da Nunciatura Apostólica. O núncio apostólico Alfio Rapizarda - que tem o estatus de embaixador da Santa Sé no Brasil -, é quem determina a largada da escolha.

Chegam até ele a indicação de vários nomes de bispos, através da CNBB, de leigos e leigas, religiosos e religiosas, dos próprios bispos, etc. Se algum religioso de Bauru ou da região é citado nessa primeira listagem, inicia-se um processo de captação de informações sobre o indicado.

O questionário, enviado pela Nunciatura, chega ao clero, aos leigos e leigas, religiosas, lideranças da diocese. Pergunta-se sobre o comportamento do citado, sobre seu perfil, aspectos positivos e até mesmo negativos. O documento, preenchido sob sigilo absoluto, retorna a Brasília. A Nunciatura Apostólica prossegue com a investigação, mas já começa a definir a formação de uma lista tríplice, que será enviada a Roma.

Definida essa lista, o núncio Alfio Rapizarda opina, de maneira oficial, sobre seu nome de preferência, embora isso não represente a palavra final no processo, que segue para o Vaticano e chega as mãos do prefeito para a Congregação dos Bispos, ocupado pelo cardeal Giovanni Re.

É nesse estágio em que se encontra a escolha do novo bispo de Bauru. Corre-se o risco, ainda, do processo retornar para cumprir questionamentos levantados por Roma. Guardado no mais completo sigilo religioso, está nas mãos do cardeal Giovanni Re os três nomes indicados pela Nunciatura para ocupar a direção da Diocese de Bauru. O que ele escolher, o Papa João Paulo II apenas ratifica.

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