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Levada para Campinas, em 1999, pela Associação Brasileira de Preservação Ferroviária, locomotiva foi reformada e vai promover o turismo naquela região.

Gilmar Dias
| Tempo de leitura: 3 min

Mas, infelizmente, o retorno da velha locomotiva a vapor vai ocorrer em Campinas, distante 250 km de Bauru.

Depois de ser resgatada, em setembro de 1999, pela Associação Brasileira de Preservação Ferroviária (ABPF), a locomotiva a vapor de número 401, que pertenceu a Noroeste do Brasil (NOB), está de volta aos trilhos. Em breve, a barulhenta mas charmosa maria-fumaça vai cuspir muita cinza e brasa pela sua chaminé no trecho Campinas-Jaguariuna, de 23 quilômetros, explorado turisticamente pela ABPF.

A locomotiva, cuja data de fabricação é de 1918, faz parte de um lote encomendado pela antiga Estrada de Ferro Noroeste do Brasil a empresa norte-americana Baldwin Locomotive Works. Por mais de 40 anos puxou trens de passageiros entre Bauru e Porto Esperança, no velho Mato Grosso, patrimônio localizado à margem esquerda do rio Paraguai.

Segundo o ex-ferroviário Flávio Zanata, que trabalhou na recuperação inicial da maria-fumaça, a 401 tem a classificação 4-6-4. São quatro rodas-guias na frente, seis com tração e outras quatro que sustentam a cabine. Ele explica que esse tipo de locomotiva era fabricada especialmente para tracionar trens de passageiros.

Zanata lembra, com orgulho, que em 1986, quando a ex-Superintendência Regional de Bauru (SR-10) da Rede Ferroviária Federal (RFFSA) decidiu recuperar duas locomotivas a vapor, colaborou na remontagem das máquinas. Filho de ferroviário, o ex-técnico de manutenção da RFFSA conta que a primeira maria-fumaça a passar pelo processo de recuperação foi a de número 278, hoje desativada e encostada nas oficinas da Ferrovia Novoeste S/A, na Vila Falcão.

A 401, que levaram para Campinas, também foi resgatada para ser recuperada. Ela estava encostada em Araçatuba. As duas, tanto a 278 como a 401, chegaram às oficinas de Bauru com diferença de poucos dias, lembra. Mas apenas uma delas, a 278, foi totalmente recuperada e recolocada nos trilhos.

Sua primeira aparição pública foi nas comemorações dos 80 anos da NOB. Em setembro de 1987, numa solenidade que contou com a presença de autoridades da RFFSA, ferroviários da ativa e aposentados, a 278 soou seu apito na gare de Bauru, arrancando lágrimas dos saudosistas e até mesmo do Inácio de Loyola Brandão, presente no evento.

Mas a velha locomotiva resistiu por pouco tempo. Sem manutenção, virou um monte de sucata e foi novamente encostada, sofrendo a ação do tempo. A de número 401 testemunhou apenas um ensaio de recuperação. Por mais de dez anos ficou jogada numa linha secundária das oficinas da NOB.

Entidades ligadas ao Museu Ferroviário Regional de Bauru tentaram angariar fundos no meio empresarial para recolocar a maria-fumaça nos trilhos. Não encontraram apoio. No dia 18 de setembro de 1999, exatamente há dois anos, duas carretas levaram a 401 para a sede da ABPF, em Campinas.

Segundo o diretor de Finanças da entidade, Hélio Gazetta Filho, a locomotiva deve entrar em operação no mês que vem. Atualmente, a maria-fumaça está passando pelos últimos testes. A preocupação da ABPF continua sendo com o futuro de sua irmã, a 278. Gostaríamos que ela tivesse o mesmo destino, ou seja, um lugar onde fosse tratada com carinho, flerta Gazetta.

O desejo da ABPF de ter em seu lote de locomotivas a vapor a 278 pode deixar a história de Bauru um pouco mais pobre. A cidade que um dia acolheu um dos maiores entroncamentos ferroviários do País corre o risco de ser lembrada como um grande cemitério de lembranças, que poderão ser observadas pelas gerações do futuro na fria estampa de uma foto de recordação.

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