Outro dia, eu e uns amigos - Marcão, Giba, Carlinhos, Zé da Roça e Bozó - fomos ao Paranasão, em Panorama (SP), com a desculpa que iríamos pescar. Era um fim de semana prolongado, com um feriado bem na quinta-feira. Resultado: teríamos quatro dias de intensa atividade à beira do rio. Seja com pescaria, seja com beberia, como diz um amigo meu.
Apesar de sermos um grupo grande, resolvemos alugar uma van. Ninguém queria a responsabilidade de pegar a estrada, ainda mais num feriado prolongado. Além disso, de Bauru até Panorama são cerca de 5 horas de viagem, coisa para motorista profissional.
Saímos da cidade na quarta à noite. Já tínhamos acertado um rancho com um amigo de um amigo do grupo, o que nos dava mais mobilidade de horário. Tralha na van e lá fomos nós.
Chegamos ainda por volta da meia noite. Nos acomodamos, ouvimos o barulho do rio por alguns minutos e fomos dormir mortos de cansados, com a promessa de levantar às 6 horas, sem despertador. Na quinta-feira, o primeiro a acordar, Bozó, saiu da cama às 8 horas. Fez uma coisa que ele chamou de café e acordou os outros. E lá fomos, já perto das 10 horas, para a beira do rio.
Pescar, ninguém pescou nada. Ainda bem que levamos carne para um belo churrasco e cerveja para lamentar a falta de peixes. E com uma promessa do Marcão de que não voltaria para Bauru sem peixe, voltamos ao rancho e fomos dormir.
No dia seguinte, o Marcão foi o primeiro a levantar: 6 horas lá estava ele, em pé, de tralha em punho, disposto a cumprir a promessa. Vamos dar-lhe apoio moral. Escolhido o ponto, isca na vara, lança na água. Beliscou!. Agora eu peguei. Uh, escapou. Essas foram as palavras que ouvimos durante todo o dia. E no sábado não foi diferente.
Resultado: no domingo resolvemos vir para casa mais cedo. Na volta, lógico, passamos numa peixaria e pescamos excelentes exemplares. Na rodovia, pausa para as fotos. Essas coisas que pescador adora fazer ao lado do troféu. Chegamos em casa contando a maior vantagem. E o pior é que colou. Só que por pouco tempo. A besta do Carlinhos esqueceu de jogar a nota da peixaria, que foi encontrada pela mulher dele, que se encarregou de contar o feito para as outras esposas. E cada uma espalhou para a vizinhança.
Resultado: dois anos depois e ainda nos chamam de pescadores de geladeira. Mas o pior é que no ano passado nós voltamos ao mesmo lugar e fizemos uma bela pescaria, sem precisar dar uma pescadinha na peixaria, e ninguém acreditou.
(*) Damião Souza o único a contar uma verdade nesta seção!