Um dos primeiros peixes a sinalizar o fim da estação de inverno brasileira é o curimbatá, por isso já voltaram à ativa nos rios de nossa região. Aproveite o assunto de hoje para saber mais sobre esta espécie e as técnicas para a sua pescaria.
Barulhentos
Perdendo só para os lambaris, que fazem um verdadeiro alvoroço no farelo rodando na flor dágua, os curimbatás assumem isoladamente o segundo lugar em matéria de barulho. São peixes que adoram bater na superfície e dar a sua reviravolta, sinalizando assim a sua presença. Em poços cevados, pregam vários sustos no pescador que, concentrado, prestando atenção na ponta da vara de pescar, de repente é surpreendido por uma verdadeira explosão quase debaixo dos seus pés, sem contar o banho que muitas vezes também leva.
Por ter esta característica, eles ajudam muito o pescador a identificar o local em que estão, normalmente numa prainha ou então num poço profundo e quase parado.
Local certo
Quem buscar curimbatás em água corrente perderá seu tempo. Embora existam registros de captura nestas condições, mesmo quando usadas as iscas de minhoca ou mortadela, são exceções raras. Por isso, quem quiser ter sucesso deverá escolher um poço com 1,80 de profundidade, no mínimo e com a água parada ou preferencialmente voltando rio acima, situação sempre encontrada logo abaixo de uma curva.
Outra característica principal deste ponto deve ser a completa ausência de folhas no fundo, e para isto deverá ser feita, em silêncio, sem muito alarde, uma verdadeira varredura para identificar o tipo de solo que o poço escolhido tem. Se for barrento, é o local propício. Se for arenoso, ou tiver folhas em suspensão, ou pedras no fundo, escolha outro, porque nele você só perderá tempo.
A ceva correta
Decorrido mais de um século de pesquisas, os pescadores concluíram que não existe ceva melhor para curimbatás do que o farelo de arroz misturado com água e concentrado em pequenas bolotas. Dependendo da região, usa-se sangue bovino no lugar da água, o que aumenta muito o poder de atração.
Recentemente, a ração para coelhos tem sido usada, seja pela sua praticidade, como também pelo fato de entrar dura na água, afundar e dissolver-se lentamente no fundo. Recomendamos seu uso também, mas aconselhamos que seja utilizada como ceva de manutenção num poço tratado primeiramente com o imbatível farelo. A quantidade de material a ser utilizado deve ser farta, algo como três quilos, por exemplo. Deve ser lançado regularmente em intervalos intercalados e feito durante todo o dia.
Os cardumes chegando
Uma das formas do pescador constatar se o cardume está aproximando-se da ceva é o fato de aumentarem as batidas na flor dágua, que ficarão cada vez mais próximas do local da pescaria. Outro detalhe é quando a linha estiver na água. A presença dos curimbatás será sentida, pois estarão raspando-se nela. Não sabemos o motivo, mas o curimbatá gosta muito deste exercício, confundindo assim o pescador, que acreditará estar havendo um puxão forte na isca. Uma vez no fundo do local de pesca e passando a sugar a ceva, as batidas na flor dágua diminuirão, o que transmitirá ao pescador a certeza de que eles finalmente resolveram comer.
O material
Pescar curimbatás exige uma técnica diferente das demais espécies. Enquanto na maioria dos peixes esperamos um puxão firme, para os curimbatás as coisas mudam bastante, sendo esta pescaria uma mistura de paciência, técnica, atenção e muita sensibilidade.
Devido ao desenho peculiar de sua boca, o curimbatá mais suga do que morde, e o ato de sugar, quando muito, leva à ponta da vara um movimento suave e quase imperceptível, apenas detectável aos olhos já acostumados com a sua característica. Por isso, entendemos que não se ensina pescar curimbatás. Quando muito, devemos receber as noções básicas, e o resto deve ser descoberto por nossa própria conta, pois cada pescador tem a sua característica. Uns puxam ao menor sinal e outros esperam que o peixe suba na isca, aumentando assim as chances de uma fisgada.
A melhor vara que podemos utilizar para pescar curimbatás é a de bambu, sempre entre 3 e 3,5 metros. A linha deve partir de 0,25 mm, podendo chegar até a 0,45 mm, desde que haja exemplares de mais de dois quilos por perto. Não é exagero, mas a pescaria deve contar com no mínimo três e no máximo seis varas, previamente tralhadas com a linha escolhida, um anzol firme de haste longa e uma chumbada espiral leve, pois lembre-se, estaremos pescando em águas paradas. A isca deve ser colocada sempre na ponta do anzol, para recobri-la. Fazer uma bolinha é perda de tempo, pois o curimbatá vai sugá-la à vontade e, fisgando, nada vai acontecer. As iscas podem ser de massa de farinha ou miolo de pão, fígado bovino cortado em tirinhas e minhoca. Espalhe as varas pelo poço, respeitando um espaço mínimo de 30 centímetros entre elas. Preste atenção, pois logo as ações começam a ocorrer, e uma característica deste peixe é sugar sempre na mesma isca. Acontecendo isto, ou seja, as puxadas em linhas específicas, as demais varas devem ser retiradas da água, pois durante o reconhecimento os curimbatás elegeram a sua preferida.
Um acessório importante na pescaria dos curimbatás é o passaguá, parecido com um coador gigante. Ele serve para retirar o peixe do rio, já que o curimbatá possui uma boca muito mole, que rasga com facilidade se suspenso pela linha. Além de evitar ferir o peixe, aquele apetrecho raramente deixa-o escapar. Lembre-se também que o tamanho mínimo para a captura do curimbatá é de 38 centímetros, por isso solte os pequenos exemplares que serão fisgados em grande quantidade, temos certeza.
Um excelente prato
Muitos pescadores não gostam de consumir a carne de curimbatá, pois acreditam que ela tem um gosto barrento, devido à alimentação do peixe. Isto é verdade, desde que não seja corretamente preparado. Todos os curimbatás possuem nas laterais do corpo uma linha que nada mais é do que um sensor.
Para eliminar o gosto esquisito, bastará tirar esta linha, tarefa muito simples de executar. Ao descamar e limpar o peixe, corte a cabeça fora.
Olhe bem rente à pele e você vai constatar esta linha, que é sempre branca. Com uma pinça, puxe-a suavemente para evitar que rompa. Uma vez retirada, é hora de temperar a seu gosto, sendo suco de limão, sal e pimenta uma mistura excelente. Frito ou assado, é a melhor forma de aproveitar o seu sabor, acompanhado de arroz branco com salada de legumes.