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Eu Estive lá: Uma viagem pela fabulosa história do Império Inca

(*) Sílvio Serrano e outros
| Tempo de leitura: 7 min

Somos um grupo de amigos apaixonados por aventura e que há muito tempo tem deixado rastros em várias regiões do Brasil, como a Serra dos Órgãos, Parque Estadual do Alto Ribeira, Ibitipóca, Pantanal e outros.

Mas juntos tínhamos uma idéia acalentada em várias conversas em noites na beira de fogueiras: fazer o caminho Inca e conhecer Machu Picchu, a cidade perdida dos Incas.

O sonho se realizou em agosto desse ano, quando juntos elaboramos nossa primeira aventura fora do País.

Foi preciso muita pesquisa, um roteiro bem detalhado, o apoio da agência Empório de Comunicação e de vários patrocinadores entre eles o Jornal da Cidade e a 96 FM.

No dia 23 de agosto de 2001, embarcamos em um vôo direto para La Paz, na Bolívia, cidade que fica a 3.800 metros de altura.

A altitude se faz sentir ao descer do avião e colocar a mochila nas costas.

Um lance de escada e estamos completamente sem fôlego. Esse desconforto vai nos acompanhar durante todo o período de viagem, só amenizado por xícaras e xícaras de mate de coca, a planta sagrada dos incas, que regula o metabolismo, nos dando energia e melhorando a respiração, como por milagre.

La Paz é uma cidade de quase 2 milhões de habitantes (praticamente 25% da população da Bolívia), caótica em seu trânsito e cheio de ambulantes vendendo de tudo, de artesanato e alimentos até fetos de lhamas, que são um poderoso amuleto de sorte enterrados nas portas das casas... Enfim, uma loucura !

Mas não foi atrás de grandes centros que viemos e mais que depressa pusemos o pé na estrada.

Nossa primeira parada foi em Tiwanacu, um complexo de ruínas a 20 quilômetros do lago Titicaca. Tiwanacu, na língua Imara, significa filhos do sol.

Foi um centro cerimonial pertecente a uma civilização do início da era incaica .

Alguns estudiosos estimaram seu apogeu há cerca de 10 mil anos. Pesquisas recentes e testes atuais através do carbono 14 permitiram calcular que foi habitada entre 500 a.C a 2000 a.C.

Hoje só restam 7% da construção original, pois quase tudo foi destruído pelos espanhóis que utilizavam as pedras dos monumentos para construir igrejas e prédios públicos em La Paz. É impressionante a precisão dos encaixes das pedras, a riqueza de detalhes das estátuas, algumas delas ainda com as marcas do vandalismo dos espanhóis.

A porta do sol é uma das maravilhas da arqueologia das Américas. Um enorme vão de pedra talhada de um monolito, medindo 3.75m por três metros e com peso calculado em mais ou menos dez toneladas.

Várias rostos esculpidos em rochas estão fixados pelos muros de um dos templos do complexo. Alguns rostos intrigam pelo características físicas de povos que até então não tinham nenhum contato com as civilizações das Américas, como negros e europeus.

Esse é um dos mistérios que ficaram sem resposta ao deixarmos as ruínas de Tiwanacu. Um lugar fascinante e que vale a pena ser visitado.

Saindo de Tiwanacu, tomamos o ônibus em direção à Copacabana, às margens do Lago Titicaca, o maior lago navegável do mundo que fica a 3.840 m acima do nível do Oceano Pacífico. É chamado de mar do alto, por causa da imensa quantidade de água. Ele cobre uma área de oito mil quilômetros quadrados. Seu comprimento é de cerca de 175km e em alguns pontos chega a ter 50 km de largura. Suas águas, alimentadas por 25 rios, são salgadas, e mesmo perdendo a salinidade por causa das chuvas, tem uma fauna quase idêntica à do mar. Sua profundidade varia, chegando até 280 m; e a temperatura da água fica em torno de 13 graus. Enfim, uma paisagem de cartão postal, emoldurado por 41 ilhas que o tornam mais belo ainda.

Copacabana é uma pequena e charmosa cidade turística sem todos aqueles complexos hoteleiros que desfiguram os lugares. Vários passeios podem ser feitos pelo lago, que oferece inúmeros atrativos.

Um dos lugares que vale a pena visitar é a Ilha do Sol, situada a uma hora e meia de barco. A ilha é uma jóia em meio ao azul profundo do lago. Um lugar bucólico, habitado por camponeses e rodeado por terraças onde até hoje se cultivam inúmeras variedades de legumes. Para chegar até o topo da ilha é preciso vencer os 420 degraus. A recompensa pelo esforço é uma paisagem deslumbrante. Na Ilha do Sol fica o templo do sol, lugar considerado sagrado pelos incas. A única coisa chata do lugar é o assédio dos nativos que tentam vender de tudo e cobram até para tirar fotos. Um saco!

Passamos o dia inteiro no Lago Titicaca, mas apesar do frio intenso, voltamos aquecidos pelas inúmeras e belíssimas paisagens guardadas para sempre na memória e nos filmes fotográficos. No dia seguinte partimos para Puno.

Quando passamos pela fronteira, depois de regularizarmos nossos documentos, o ônibus tocou em frente. Rodando alguns quilômetros, percebemos uma aglomeração na estrada.

Para surpresa nossa, estava acontecendo uma comemoração na localidade. Um grande número de camponeses vendendo de tudo, chollitas com seus trajes típicos sentadas à maneira quíchua, confabulavam em sua língua. Uma banda tocava uma música alegre e à sua frente um grupo com suas roupas incrivelmente coloridas dançava.

Descemos correndo do ônibus para apreciar toda aquela beleza. O céu incrivelmente azul, as roupas vermelhas e laranjas cheias de bordados e a evolução da dança promoviam um visual incrível. Acionamos a filmadora e as câmeras fotográficas, registrando tudo aquilo.Viemos a saber depois que aquela era a dança do Tinco, uma dança guerreira de origem inca.

Chegamos em Puno no final da tarde de um sábado. Nossa intenção era pegar o trem em direção a Cuzco no domingo de manhã, mas qual foi nossa surpresa, não havia saída no Domingo, somente na segunda.

Com isso furou o nosso cronograma. Queríamos fazer a viagem de trem porque ele corta os Andes e o visual é incrível.

Não podíamos esperar. Decidimos então fazer o percursso de ônibus mesmo, viajando a noite inteira e chegando a Cuzco no domingo de manhã, um dia antes do previsto.

A cidade de Cuzco encontra-se no vale do rio Huatanay, nos Andes do Peru, e está a cerca de 3.360m de altitude.

Pouco se conhece sobre Cuzco antes da conquista dos espanhóis. Diz a lenda que a cidade foi fundada ao redor dos séculos XI e XII d.C. pelo primeiro inca, Manco Cápac, proveniente do lago Titicaca. Ele teria fincado seu bastão sagrado na atual praça das armas batizando-a de Qosqo (umbigo do mundo em quíchua), e elegendo-a capital do império Inca.

Cuzco, cidade sagrada e Capital do império inca do Tahuantinsuyu, foi centro do governo das quatro extensas regiões do fabuloso império inca que chegou a abarcar grande parte do que é atualmente o Equador, Peru, Bolívia, Argentina e Chile .

Em 23 de março de 1534, Francisco Pizarro fundou sobre a cidade de Cuzco uma cidade espanhola, construída sobre o cimento inca. É um exemplo típico da fusão da cultura indígena regional com a espanhola do século XIII, que herdou monumentos arquitetônicos e obras de arte da valor incalculáveis.

Depois de deixar as mochilas no hotel, fomos até a Praça das armas, o ponto central da cidade.

Quando chegamos lá, mais uma supresa: centenas de pessoas tomavam conta da praça, inúmeras escolas com seus alunos impecavelmente uniformizados, bandas, desfiles .

Perguntamos o que estava acontecendo a um homem, e ele nos disse que todo domingo acontece essa comemoração, mas naquele em especial estavam comemorando o dia de Santa Rosa. Imaginem todo domingo organizar toda aquela gente, montar palanque, agrupar todas aquelas crianças, enfim, uma loucura, haja espírito cívico!!

Depois que terminou todas as comemorações, fomos almoçar e em seguida começamos a pesquisar nas agências sobre o caminho inca.

Para desespero nosso, nenhuma tinha vaga para o dia seguinte (segunda feira), somente para terça feira. Avaliamos várias agências e optamos pela Confort Tours, que nos pareceu a melhor e mais organizada e que tinha um cardápio de trilha dos melhores.

Aproveitamos e fechamos um city tour para o mesmo dia e um passeio pelo vale sagrado para a segunda feira.

Iniciamos o city tour pelo convento dominicano de santo domingo construido sobre o complexo de Koricancha, ruínas de um templo inca feito de pedras finamente cortadas e encaixadas com precisão milimétrica.

(*) Sílvio Serrano, Roberto Lima, Marcos Lima, Walter Folkis são empresários bauruenses.

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