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OS EDUCADORES RENEGAM AS HOMENAGENS PÓSTUMAS

Áureo Corrêa de Souza
| Tempo de leitura: 2 min

Por que, senhor governador, sua excelência se abala em decretar luto, pela morte dessas 13 professoras, que perderam suas vidas, em trágico acidente?

A morte, que tanto os seres humanos repugnam, talvez tenha suas razões. É preferível a morte que liberta nossa alma, desse invólucro material pesado, que é o nosso corpo, do que nos arrastarmos por décadas e décadas, através de um viver de dificuldades e privações. Sofrendo injustiça, incompreensão, humilhação.

Nesse sentido, perguntaria ao senhor governador: será que sua excelência possui conhecimento, de que a vida de inúmeros educadores, na atualidade, principalmente os aposentados, vem sendo uma verdadeira tragédia?

São idosos, doentes, relegados ao abandono, que estão dispondo de imóveis nos quais residem, que com trabalho insano e inaudito, conseguiram construir em sua juventude.

Hoje estão vendendo seu único imóvel para poder sobreviver, amanhã, talvez, não lhes sobre o que comer. Isto porque a opulência do Estado deve sobrepujar a miséria do cidadão.

É a tragédia daqueles que deram tudo de si para engrandecimento desta Nação. É a retribuição oferecida ao seu espírito altruístico e desprendido.

Nós educadores, que deveríamos ter orgulho da tarefa que executamos, passamos a sentir um certo pudor em declinar a nossa profissão, de orientadores da infância e da juventude, de mestre, de professor, de educador. Isto não pelo trabalho exercido, que só enaltece a pessoa humana, porém, em virtude da subtração do decoro, da dignidade desta profissão, pela própria administração.

Os mestres refutam, o magistério refuta as homenagens póstumas. A verdadeira homenagem deveria ser prestada em vida, oferecendo ao educador aquilo que dele foi injusta e iniquamente subtraída: a respeitabilidade profissional, vencimentos à altura da nobre tarefa exercida pelo educador, a fim de trabalhar, viver e morrer com dignidade.

Não vemos sentido em homenagens póstumas, porque não faz muito tempo, os professores chegaram a ser espancados em público, humilhados e até encarcerados, pelo crime de reivindicarem seus legítimos direitos.

A mais justa homenagem que poderia ser prestada aos educadores, seria o oferecimento de vencimentos capazes de resgatar as injustiças e dignificar a profissão, de reconhecer o trabalho eficiente e patriótico daqueles que passaram pelo magistério, e hoje se arrastam em uma vida de abandono, desprezo e solidão.

E qual foi a atitude de sua excelência?

Magnanimamente, ofereceu aos educadores R$ 80,00 (oitenta reais) como prêmio de valorização. Para sermos valorizados dessa maneira, é porque tanto a educação, quanto os educadores, para a administração, não possuem o menor valor.

Excelência, se não pranteamos a morte trágica e prematura dessas colegas, é em virtude de termos esgotadas as nossas lágrimas, de tanto prantear o abandono a que nos relegaram, a perda da dignidade, da qual fomos brutalmente destituídos, a ponto de merecermos pelo nosso esforço, dedicação e trabalho, simplesmente, uma gratificação. (Áureo Corrêa de Souza - RG: 3.538.605)

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