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Dia do Tietê prega a conscientização

Tânia Fonseca
| Tempo de leitura: 4 min

Várias atividades estarão sendo desenvolvidas hoje em Barra Bonita estimulando, principalmente, a despoluição do rio.

Barra Bonita - Amanhã, dia 22, é comemorado mais um Dia do Tietê e para marcar a data estarão sendo realizadas várias atividades com o objetivo de conscientizar população e autoridades sobre a necessidade de se lutar pela despoluição de uma das principais fontes de vida do planeta. Para unir e estimular a comemoração junto à população dos quase 80 municípios banhados por suas águas, principalmente os jovens, em Barra Bonita serão realizadas hoje, dia 21, várias atividades.

As festividades, nesta véspera do Dia do Tietê, terão como palco a praça Waldemar Lopes Ferraz (Praça do Teleférico) com a participação de escolas do município e presença de corais. O capitão Hélio Palmesan, presidente da ONG Mãe Natureza estará falando da importância de se preservar o rio, criando as estações de tratamento de esgoto. Alunos de escolas municipais estarão plantando mudas de árvores e participando do repovoamento das águas.

As atividades do dia estarão sendo coordenadas pela ONG Mãe Natureza e departamentos de Cultura e Educação de Barra Bonita.O rio que já foi caminho dos bandeirantes que navegavam pelas então límpidas águas, hoje sofre com a sujeira que avança e compromete o desenvolvimento e causa prejuízos, porque produz distúrbios ambientais e afasta turistas.

A poluição, segundo o ambientalista Hélio Palmesan já atinge até Buenos Aires, a capital da Argentina, através do rio Paraná. A situação, grave e preocupante, na opinião dele, merece estudo sobre uma possível punição aos municípios responsáveis pelo lançamento de tanta sujeira nas águas. Afinal, se o lixo corre para o rio é sinal de que alguém está falhando na coleta.

Sabe-se, segundo o ambientalista que o lixo sólido em sua maioria, (latas e garrafas plásticas, por exemplo) é produzido especialmente na cidade de São Paulo e lançado ao Tietê. Para percorrer os cerca de 300 quilômetros que separam o Tietê de São Paulo do Tietê de Barra Bonita, por exemplo, uma garrafa demora três dias, em períodos de cheia, ou até uma semana e meia, com o leito do rio em nível normal. Ao contrário da maioria dos rios, que correm em direção ao mar, este nasce bastante próximo dele e corre em direção ao interior do continente. O Tietê banha aproximadamente 80 cidades paulistas, onde se abrigam cerca de 3 milhões de pessoas não contabilizada, a população de São Paulo.

Importância histórica

O rio Tietê começa a ter importância na história do Brasil quando uma expedição de desbravadores portugueses desembarcou no litoral do Estado de São Paulo. Ao adentrarem pela Serra do Mar, chegaram a um planalto ocupado por índios, que se abrigavam ao longo de um rio. Os índios chamavam o rio de Anhembi, enquanto o planalto era denominado Piratininga. Em razão do fácil acesso à água, um dos líderes do grupo de portugueses deciciu fundar um povoado. Era o padre José de Anchieta.

O rio, depois, serviu como via de acesso para que os bandeirantes conhecessem o interior daquelas terras.

O Tietê nasce a 60 quilômetros do Oceano Atlântico, em Salesópolis, ao pé da Serra do Mar. Ao invés de correr para o mar, o rio segue em direção ao interior. Quando chega a São Paulo, recebe a carga de poluição produzida na região metropolitana. Depois, conforme se distancia em direção ao interior, volta a ter águas cristalinas.

Ao todo, o rio tem 1.120 quilômetros de extensão e passa por mais de 80 municípios. Termina no município de Itapura, divisa entre os Estados de São Paulo e Mato Grosso, onde desemboca no rio Paraná.

Somando a extensão dos rios Tietê e Paraná, existem hoje em dia 2,4 mil quilômetros de percurso navegável, ligando São Paulo à cidade de São Simão, em Goiás, e até a barragem de Itaipu, próximo a Foz do Iguaçu, no Paraná.

Além de incrementar a economia do País, por se tornar uma via de transporte barata, o Tietê começa a ser explorado de forma mais intensa, hoje em dia, em razão de seu potencial turístico. Muitos municípios situados às suas margens planejam atrair turistas, anunciando as belezas naturais compostas pelo rio e o ambiente ao seu redor. Embora muitos trechos de sua extensão realmente ainda estejam intactos, outros foram devastados pela poluição produzida nos municípios ribeirinhos - especialmente a cidade de São Paulo.

Para explorar o potencial turístico do rio, alguns municípios estão investindo no tratamento do esgoto produzido. Se a recuperação do Tietê acontecer, certamente vai poder ser intensamente explorado (desde que de forma consciente, para impedir nova degradação) pela indústria do turismo, pois oferece recantos de extrema beleza.

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