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Sai da frente !

Marcelo Ferrazoli
| Tempo de leitura: 3 min

Dirigir e operar a Auto Bomba Escada dos Bombeiros não é tarefa fácil.

Dirigi-la não é tarefa para qualquer um. Muito menos operá-la. Comumente vista nos combates a incêndios e em operações de salvamento em locais elevados, a viatura Auto Bomba Escada (ABE) do Corpo de Bombeiros é daquelas que impõem respeito no trânsito.

É considerada de uso múltiplo e, por essa razão, contar com os seus serviços é quase que um privilégio. Sorte das poucas corporações que a possuem em sua frota, como a bauruense. Fabricada em 1992 nos Estados Unidos pela Pierce Arrow, entrou em operação em 1994 e chegou no Brasil em 31 de agosto de 2000. É dotada de vários itens que garantem o conforto em carros de passeio, como câmbio automático, direção hidráulica e ar condicionado.

O motor diesel Detroit, que equipa navios e já chegou a ficar em funcionamento durante 24 horas ininterruptas, impressiona pelo tamanho e os números. É um seis cilindros em V, capaz de gerar algo entre 480 a 500 cavalos de potência. Sua manutenção de rotina exige a verificação de pelo menos sete itens, como a água, o combustível e os vários tipos de óleos hidráulicos.

A ABE tem capacidade para levar até 1500 litros de água. Para encher os pneus 295 (seis no total) são necessárias até 100 libras de pressão. A escada mecânica pode chegar a em cada um a 18 metros de altura e é acionada por um mecanismo hidráulico controlado por sistema eletrônico, que também gerencia todo o funcionamento da viatura.

Possui nas laterais os chamados corpos de bombas, responsáveis pelo funcionamento das mangueiras de combate aos incêndios. Na parte traseira, outra central de comando, esta da escada mecânica.

A manutenção da viatura, apesar de ser diária, não exige muito esforço. É um veículo extremamente resistente que praticamente não apresenta problemas mecânicos e, por essa razão, sua manutenção não é dispendiosa. Entretanto, na eventualidade de a ABE vir a se envolver em algum acidente que cause danos mais sérios, os custos sobem consideravelmente, afirma o cabo Villares, um dos bombeiros da corporação bauruense responsáveis pela condução da Auto Bomba Escada.

Fácil ?

Para Villares, a ABE é uma das viaturas mais fáceis de se dirigir, em virtude de ser hidramática. Mesmo assim, a tarefa exige preparo. Antes de ligá-la, os comandos eletrônicos fazem um check-up de todo o sistema da viatura, como motor e bombas. Se algo estiver errado, os sensores acusam imediatamente.

Todos os que exercem a função de motorista nos Bombeiros devem possuir a categoria D, que os habilitará para guiarem os veículos de emergência. Também freqüentam um curso de 15 dias para aprenderem toda a parte mecânica e de manutenção das viaturas, explica ele.

Apesar de toda imponência e peso, em caso de necessidade a viatura é extremamente rápida. Se precisar acelerar, ela corre. E muito, diz o cabo. Uma das preocupações de quem conduz a ABE é a escada, que avança um pouco à frente do carro. O cuidado de quem a dirige deve ser redobrado, pois, acima de tudo, deve-se calcular o tamanho da Auto Bomba Escada, considera Villares.

Nas emergências

Ao contrário do que muitos poderiam imaginar, um bombeiro é suficiente para operá-la em emergências. Somos treinados para isso. Ela tem capacidade para levar até sete bombeiros, pois seis cuidarão do combate ao fogo e o outro ficará responsável por operar a ABE, esclarece o cabo. A capacidade da Auto Bomba Escada para debelar incêndios pode ser vista no seu recurso de pressurizar a água. Se necessário, ela pode pressurizar a água de um prédio inteiro, destaca Villares.

Uma das poucas limitações da viatura é o asfalto. Concebida para rodar nos Estados Unidos, local onde normalmente as vias encontram-se em melhores condições que as do Brasil, a ABE não encara qualquer piso. Operações de salvamento não são realizadas em pisos com infiltrações, por exemplo, pois o asfalto pode acabar cedendo com o peso da Auto Bomba Escada, conclui o bombeiro bauruense.

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