Para funcionar como fonte de inspiração para montadoras de carros e outros setores da indústria ligada ao design, a moda sistematiza suas etapas de produção desde a década de 50.
O rigor do processo começou com a difusão do sistema ready to wear (em francês, prêt-à-porter; em português, pronto para usar), a partir de escritórios de estilo franceses. O sistema consistia na industrialização de todos os processos que envolviam a moda, da cadeia têxtil à confecção e distribuição da roupa, para aumentar a produção.
Em visitas a tecelagens, indústrias têxteis e grandes confecções, os escritórios de estilo conseguiram estabelecer cronogramas de produção, que resultaram na sazonalidade semestral de coleções.
Desde então, para cumprir essa sazonalidade, as cores são pensadas e decididas de 24 a 30 meses antes do lançamento da coleção. Os fios são desenvolvidos com 18 meses de antecedência e os tecidos, com 12 meses.
As roupas são produzidas nove meses antes do início da estação e apresentadas com um semestre de antecedência. Esse espaço garante a divulgação prévia das tendências entre o público por meio dos veículos de comunicação, seja por matérias jornalísticas ou campanhas de marketing. Dessa maneira, quando o inverno ou o verão chegam, o consumidor já sabe o que deve procurar para usar.
Nos últimos anos, com o avanço das tecnologias em telecomunicações, esse timing da moda não tem sido rigorosamente cumprido. A indústria brasileira, por exemplo, por ter acesso antecipado às tendências européias, acaba utilizando as informações de inverno, por exemplo, nas coleções de verão, ao invés de aguardar seis meses, como fazia antes.
Apesar disso, o timing de moda persiste como organizador do setor, incentivando sua crescente profissionalização e favorecendo, conseqüentemente, a influência das tendências de moda sobre outros setores, caso da indústria automobilística.