As artes como um todo resultam da necessidade do ser humano em expressar seus sentimentos. Atualmente, mesmo que se queira negar ou não concordemos, vivemos sob o domínio de um sistema que não considera as individualidades e através da mídia promove a sua manutenção, garantindo também a hegemonia da classe dominante sobre as demais. A arte pode e deve contribuir para as transformações sociais e o crescimento humano e não apenas viver a reboque do sistema social vigente. Torna-se muito cômodo simplesmente criticar os métodos de ensino musical que teoricamente castram a criatividade dos alunos, sem contudo procurar uma visão mais abrangente sobre causas e conseqüências dos resultados desses métodos. Por outro lado, é inegável que a prática musical pode estar ao alcance de todos. Existem idéias de que para se tornar músico é necessário possuir dom; acredito ser uma visão parcialmente errônea, pois é o mesmo que dizer que existam pessoas que não possam ser alfabetizadas, ora, é óbvio que muito provavelmente poucos serão grandes músicos ou mesmo grandes gênios, mas a música, a arte pode ser sim exercida pela grande maioria dos seres humanos.
Entendo que o aparecimento de novos gênios musicais está diretamente ligado à democratização da arte, por isso, ao invés de se criticar a velha professora da esquina que jamais seria ousada, acredito que cabe sim a cada músico, a cada professor de música o engajamento não só na socialização do ensino musical que deve ser aberto e flexível em sua metodologia como em ações contra essa cultura musical imposta pela mídia que entre outras coisas despreza o verdadeiro sentido existencial humano (ex. corno-music, bunda-music).
Existem também alguns movimentos artísticos e musicais que devem ser considerados e no mínimo respeitados, tais como o hip-hop, o rap, o mangbeat, o reggae e outros e o que dizer dos teclados eletrônicos? Tecnologia existe para ser usada, criticar o seu uso é o mesmo que negar a revolução sexual dos anos 60. Bom ou ruim, é evolução. (Roberto Guimarães - OMB 28012)