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Volume de líquido pode prejudicar feto

Fabiana Teófilo
| Tempo de leitura: 4 min

Um grande número de doenças pode acometer o recém-nascido. Bebês prematuros correm mais riscos

O conceito de recém-nascido de alto risco, de acordo com o médico pediatra Rinaldo Victor de Lamare, se refere àqueles recém-nascidos provenientes de gestações ou trabalhos de parto com algumas características que indicam maior probabilidade de problemas.

Os sinais de risco, de acordo com ele, são: primeiro, referentes ao lado materno: grávida menor de 16 anos; com primeiro filho acima de 35 anos; mães obesas ou com altura inferior a 1,50m; nova gravidez antes dos decorridos três meses do último parto; mãe desnutrida; mãe solteira; perda de sangue nos primeiros três meses de gravidez; ruptura prematura das membranas; perda de água; parto demorado; filhos anteriores com histórico de doenças ou defeitos congênitos.

Durante a gravidez poderão ocorrer diversas doenças maternas que poderão prejudicar o feto, como o diabetes, doenças reumáticas, cardiopatias, distúrbios da tireóide, epilepsia e doenças hereditárias. Existem também as condições clínicas da mulher grávida, como toxemia (eclâmpsia), anemia, incompatibilidade sangüínea, fumantes crônicas ou habituadas a drogas, viroses durante a gravidez, grande crise emocional, excesso ou escassez de líquido amniótico.

Lamare explicou que as variações de volume do líquido amniótico às vezes indicam problemas. Admite-se que, quando há excesso de líquido, o feto pode nascer com graves problemas no sistema nervoso central ou no aparelho digestivo, como defeitos na deglutição, no esôfago ou no intestino. Ao contrário, quando há pouco líquido, o bebê pode apresentar, ao nascer, distúrbios renais e crises respiratórias. Atualmente, o obstetra, quando percebe uma gravidez de alto risco, convoca um neonatologista, para estar presente na sala de parto durante o nascimento, detalhou.

A seguir, algumas doenças que podem ocorrer nos recém-nascidos.

Pele amarelada (icterícia grave)

As icterícias graves aparecem logo no nascimento ou no primeiro dia de vida. Este tipo de icterícia compromete o estado geral: a criança apresenta-se sonolenta, vomitando, negando-se a mamar e com tremores musculares; a urina apresenta-se escura e o branco dos olhos mostra-se amarelado, o que não acontece com a icterícia fisiológica. As causas mais comuns são incompatibilidade sangüínea materno-infantil, fator Rh, obstrução ou ausência dos canais biliares, infecção, vírus da hepatite, sífilis, entre outras.

O tratamento deverá ser iniciado o mais rápido possível, antes que o pigmento amarelo, a bilirrubina, atinja e se impregne no cérebro. Na obstrução dos canais biliares, a cirurgia pode conseguir a cura completa em alguns casos, em outros, deverá ser tentado o transplante de fígado.

Dificuldade respiratória

Ao nascer, logo após o parto, o bebê pode apresentar dificuldade respiratória com sinais de desconforto. Algumas causas são de natureza benigna e outras são mais sérias, exigindo maior atenção. As causas mais sérias freqüentemente são aspiração do líquido amniótico, pneumonia intra-uterina, malformação das vias aéreas superiores e hemorragia pulmonar.

Convulsão

A convulsão é um sintoma grave e de prognóstico reservado quanto à sobrevivência e suas conseqüências. As convulsões devidas a traumatismo (pancada) na cabeça ou infecção do sistema nervoso são muito graves. Tremores, irritabilidade ou mesmo convulsões também podem se dever à falta de oxigênio e à diminuição na taxa de açúcar (hipoglicemia) ou de cálcio (hipocalcemia) no sangue. O tratamento deverá ser instituído imediatamente, pois qualquer demora aumenta muito o risco de lesão definitiva no sistema nervoso.

Doença da membrana hialina

Esta doença é revelada pela acentuada dificuldade respiratória, levando o bebê a extremo grau de asfixia. O bebê já nasce com um grau de sofrimento respiratório, que aumenta progressivamente. Sua causa é a deficiência de uma substância no pulmão, denominada surfactante. Sem esta substância, o recém-nascido tem de fazer um esforço muito maior para respirar. A continuidade deste esforço pode levar o bebê ao esgotamento. Os prematuros, os nascidos de cesárea e os filhos de mãe diabética são os mais predispostos. Não é uma doença sempre fatal, existindo muitos casos com recuperação espontânea. Entretanto, sempre que possível, estas crianças deverão ser transferidas em incubadoras especiais para serviços específicos de neonatologia e unidades de cuidados intensivos neonatais, onde serão tratadas por neonatologistas.

Às vezes é necessário colocá-las em respiradores artificiais, e algumas delas, embora se recuperem da doença, ficam posteriormente sujeitas a problemas respiratórios, devendo ser acompanhadas atentamente pelo médico assistente.

Atualmente, já existe uma opção de tratamento muito eficaz, que é o uso do surfactante medicamentoso (sintético ou extraído de animais), que pode ser introduzido nos pulmões do recém-nascido por meio de um tubo em sua traquéia, com excelentes resultados.

Infecções em geral

Não deverão conviver com o recém-nascido pessoas que sejam portadores do seguintes males:

infecção crônica ou aguda da pele, amidalite crônica ou aguda, herpes simples. Embora considerado um vírus oportunista, pode causar infecções cutâneas simples ou formas graves generalizadas. O bebê pode ser contaminado durante o parto.

Além dessas doenças comuns, há outras que também podem ocorrer no recém-nascido, como as afecções umbilicais, o tétano, a conjuntivite, as hérnias, as hemorragias, entre outras. O importante é que a mãe receba as orientações necessárias para cuidar do bebê corretamente e que o pediatra acompanhe o desenvolvimento da criança para avaliar qualquer tipo de mudança na rotina.

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