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O contato mãe-bebê pode evitar doenças

Fabiana Teófilo
| Tempo de leitura: 6 min

Os recém-nascidos são muito mais espertos, sensíveis e influenciados no relacionamento com as pessoas e o ambiente do que se imagina.

O médico pediatra Rinaldo Victor de Lamare disse que há situações em que o bebê nasce deprimido, sendo necessária a intervenção do pediatra. Quando possível, feito o primeiro atendimento, deve-se voltar a criança à mãe para que não se quebre este importante contato. Alguns bebês que nascem, aparentemente, com algum tipo de doença ou depressão, podem ser curados apenas com o carinho e o contato da mãe. Os recém-nascidos são capazes de sentir o afeto e quando sentem-se amados são capazes de superar crises.

Os bebês que são abandonados, por outro lado, podem desenvolver doenças por sentirem-se sozinhos, sem amor e sem carinho.

Lamare explicou que o recém-nascido merece diversos cuidados especiais. Os pediatras e as mães devem estar atentos a todos os detalhes porque as primeiras horas são muito importantes. A seguir, alguns conselhos de Lamare nos cuidados essenciais.

Pele

A pele do recém-nascido encontra-se revestida por um material graxento, chamado vernix caseosa. Este deriva parcialmente da secreção das glândulas sebáceas, como também é produto da decomposição da camada mais superficial da pele do bebê, representando uma proteção fisiológica. Embora sua função não esteja esclarecida, muitos estudos sugerem que não deve ser removida, pois age como proteção.

Este material será eliminado sucessivamente através da roupa, geralmente dentro das primeiras semanas de vida. Os cuidados com a pele do bebê devem envolver limpeza com produtos não tóxicos, não abrasivos, e sim neutros. A limpeza das nádegas e da região perianal deverá ser feita com água e algodão. Um sabonete suave, com posterior enxágüe, deve ser utilizado quando for necessária a troca de fraldas. Normalmente, pode-se observar uma descamação cutânea nos recém-nascidos, geralmente após 24 a 36 horas ao nascimento, podendo estender até a terceira semana de vida.

Secagem, aspiração e oxigenoterapia

Assim que o bebê nasce, ele é entregue pelo obstetra ao pediatra ou neonatologista, que procederá então as primeiras manobras para que o bebê se mantenha aquecido e com boas condições de adaptação ao novo ambiente. É realizada uma rápida secagem, para que ele não sinta frio, e é feita uma aspiração na boca e nas narinas com uma sonda, para que ele possa respirar com facilidade. Neste momento, é fornecido, ou não, oxigênio, dependendo da cor e da reação do bebê, e então se procederá a aspiração no estômago. Esta decisão cabe ao pediatra, que também avaliará a necessidade de procedimentos adicionais, muitas vezes importantes para bebês que nascem deprimidos ou com dificuldade inicial para respirar. Se o recém-nascido estiver em boas condições, poderá então ser levado até sua mãe e ficar no seu colo e até mesmo sugar um pouco o seio.

Curativo do coto umbilical

Uma vez ligado o cordão umbilical, uma pequena parte, denominada coto, que deverá ser de três centímetros acima da pele (anel umbilical), fica presa à parede abdominal, caindo, geralmente, entre o 7.º e o 12.º dia de vida. Às vezes, ele poderá cair antes ou depois deste tempo, sem maior conseqüência. O máximo de higiene é indispensável, pois o recém-nascido poderá sofrer infecções graves a partir da contaminação do umbigo. O coto umbilical deverá ser tratado com álcool absoluto três vezes por dia. Deixe-o exposto ao ar, não use cinteiros, ataduras ou gaze.

Desinfecção dos olhos

É obrigatória em alguns países, inclusive no Brasil, para os partos normais, sendo previstas punições pelo Código Penal brasileiro a quem não a pratica. Deverá ser feita pela aplicação de uma gota de solução recente de nitrato de prata a 1% em ambos os olhos do recém-nascido. A penicilina aquosa diluída poderá ser utilizada na impossibilidade de obter o nitrato, mas outras soluções propostas não são eficientes, segundo Lamare. Alguns bebês poderão apresentar reação inflamatória (conjuntivite) pelo nitrato de prata. Convém que o pediatra examine se é realmente alergia ao nitrato ou se já existe infecção.

Higiene do bebê

O primeiro banho poderá ser dado após duas horas de repouso em incubadora ou berço aquecido. Isto evita o resfriamento do corpo do recém-nascido nas horas posteriores à sua saída do ambiente quente e protegido do útero da mãe. Deve-se utilizar água filtrada ou fervida somente até a queda do coto, quando passa-se a utilizar água corrente ou comum. A temperatura deve ser levemente morna, em torno de 33.ºC. Tome cuidado para não molhar o coto, para que, ficando bem seco, ele caia mais rapidamente.

Higiene da boca

A prática de higienizar a boca do bebê para livrá-lo de secreções ou mucosidades deverá ser feita com suavidade, evitando-se possíveis lacerações das mucosas da boca. No momento do nascimento, deverá ser passada uma sonda de tamanho adequado através das narinas até o estômago, para verificar a permeabilidade das fossas nasais e do esôfago. A aspiração suave do conteúdo do estômago ajuda a evitar regurgitações nas primeiras horas após o nascimento, comuns após um parto cesáreo ou pelo uso de analgésicos e sedativos pela mãe.

Os órgãos dos sentidos

Paladar

Está provado que este sentido está presente desde o primeiro dia de vida do bebê, pois não há dúvida de que ele prefere o alimento doce ao amargo, ele suga mais depressa uma solução adocicada do que uma acidificada ou amarga e às vezes até cospe.

Visão

O recém-nascido possui uma visão clara. Admite-se que ele consegue enxergar um objeto ou alguém a 15 ou 20 centímetros de distância. Testes cuidadosamente realizados provaram que ele procura enxergar um objeto amarelo ou vermelho colocado a 20 centímetros dos seus olhos, a sua face se ilumina, mantém o corpo quieto e procura seguir o objeto, virando vagarosamente a cabeça. Os pediatras não levam a sério quando algumas mães afirmam que o seu filho olha para elas quando o seguram.

 Audição

Os bebês já nascem escutando. Desde o quinto mês de gravidez, o feto responde a sons de vários tipos. Os pesquisadores acreditam que a gestante que pratica música continuadamente durante a gravidez, por algumas horas diárias, predispõe seu filho a uma natural sensibilidade ao ritmo. O bebê, em resposta a um ruído forte, se atira para trás e sua respiração se acelera. Também prefere alguns sons a outros; algumas mães observaram que a música suave ou a voz humana, susurrada, acalma o seu bebê desde a primeira semana de vida. Está provado através do eletroencefalograma que a luz forte e o barulho agridem o bebê.

Atualmente, já se encontra disponível no Brasil o teste para pesquisa de surdez congênita (teste da orelhinha), que procura detectar precocemente crianças com déficits de audição. Apesar de obrigatório nos Estados Unidos, a validade deste teste no primeiro mês de vida do bebê ainda é discutida, já que a pesquisa da audição é difícil no recém-nascido e a interpretação desses testes, sendo subjetiva, poderia levar a falsos resultados e a falsos diagnósticos de surdez. No Brasil, não é rotina.

Olfato

Ao nascer, o bebê tem o olfato completamente desenvolvido e, portanto, sente o odor desagradável ou não. Esta questão, contudo, tem sido negligenciada. Não use desinfetantes fortes em casa, para não agredi-lo. Não use perfumes no recém-nascido. Cuidado com os inseticidas, todos são tóxicos e fazem mal ao bebê. Evite o uso de talco, pelo perigo de aspiração e alergia respiratória.

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