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Mototaxista morre em roubo no Ceasa

Rita de C. Cornélio
| Tempo de leitura: 4 min

O acusado do assalto e, na fuga, efetuar o disparo que matou o mototaxista, alegou que está numa situação difícil financeira difícil.

Um roubo seguido de um homicídio movimentou as polícias de Bauru na manhã de ontem. O lavrador Enéas Pinto Palma, 23 anos, foi preso e confessou ter assaltado a distribuidora de frutas Tazaki, localizada no Ceasa de Bauru, e em seguida efetuado, acidentalmente, o tiro que matou o mototaxista Rubens Moscatelli, 24 anos. Moscatelli, que havia transportado Palma de Pederneiras para Bauru, teria se recusado a dar fuga ao acusado.

O assalto aconteceu por volta das 11 horas nas dependências do Ceasa, onde a distribuidora de frutas está instalada. O lavrador teria chegado ao local na garupa da moto de Moscatelli. O acusado teria entrado no estabelecimento e procurado uma das sócias, para quem teria apontado o revólver e anunciado o roubo. Em seguida, o acusado teria saído da distribuidora com cerca de R$ 1 mil entre cheques e dinheiro.

Na saída, o mototaxista teria negado dar fuga a Palma, para não envolver-se no assalto. Palma disse à polícia que acabou ocorrendo um disparo acidental, que acertou o mototaxista. Vendo o rapaz ferido, Palma fugiu a pé, carregando os valores em uma sacolinha plástica. No caminho ele teria encontrado um conhecido, que o levou até a residência de um primo, no Núcleo Geisel, onde foi preso.

A Polícia Militar foi avisada do assalto e em pouco minutos fez um cerco no Núcleo Geisel, onde, de acordo com testemunhas, um homem armado, correndo, havia sido visto. Uma hora depois do roubo o acusado já estava preso, a arma apreendida e o dinheiro recuperado.

Ailton Paula Marques, morador da casa onde Palma foi preso, garantiu que nada tinha a ver com o assalto. Ele veio aqui com meu sobrinho, que mora em Pederneiras. Ficou sentado aqui e eu não sabia de nada (do assalto). Percebi que ele estava muito nervoso. Ele alegou que havia brigado no Ceasa. Pouco depois, a polícia chegou e só então eu fiquei sabendo do assalto, disse.

Flagrante

Palma foi autuado em flagrante por roubo qualificado e por homicídio, segundo a delegada do 4.º Distrito Policial, Cláudia Garmes Armani. Não foi um latrocínio porque a vítima do roubo é uma e a do homicídio, outra. Ele não matou para roubar, explicou.

A delegada diz que o caso ainda vai exigir investigações posteriores. O sobrinho do acusado ainda não foi localizado e vamos ouvi-lo, disse. Segundo a delegada, Palma alegou que contratou os serviços do mototaxista em Pederneiras, onde ambos moravam. Ele teria contratado o transporte de Pederneiras para Bauru, alegando que viria ver um emprego.

No Ceasa, Palma teria pago R$ 10,00 pelo transporte e combinado com o mototaxista que ele aguardasse 20 minutos. Se ele não retornasse neste tempo era porque tinha sido contratado para trabalhar como chapa. O mototaxista poderia, então, retornar para Pederneiras, disse.

O acusado teria retornado no momento em que o mototaxista já estava saindo com a moto. Palma pulou na garupa da moto e mandou que a vítima o retirasse dali. O mototaxista se recusou, engasgou a moto, momento em que recebeu um tiro que atingiu o fígado e provocou sua morte, contou a delegada.

Mesmo ferido, o mototaxista teria tentado deixar o Ceasa. Porém, andou cambaleando com a moto, por cerca de 50 metros, onde caiu, praticamente morto. Foi socorrido pela Unidade de Resgate, mas morreu. O caso não tem testemunhas. O assalto ocorreu atrás de um caminhão carregado de bananas.

De acordo com a delegada, a arma usada no assalto, um revólver Rossi, cinco tiros, não é clandestina e pela numeração que não foi obliterada, será possível saber a quem pertencia.

Apesar da alegação de Palma, de que o tiro foi acidental, no revólver havia uma cápsula picotada.

Pensão do filho

O lavrador Enéas Pinto Palma disse à polícia que era a primeira vez que praticava assalto. Sou cortador de cana e não ganho o suficiente nem para pagar a pensão de meu filho. Estou desesperado para arrumar um emprego e ter dinheiro no bolso, disse à polícia.

Palma garante que não atirou contra o mototaxista. Eu não mataria nem uma mosca. O tiro foi acidental. Eu não tinha a intenção de matá-lo, afirmou. O lavrador diz que Ailton Paula Marques e seu sobrinho não estavam envolvidos com o assalto. Eu fiz a bronca sozinho, eles não sabiam de nada, disse.

Vítima diz que foi rápido

A proprietária da distribuidora de frutas, que não quis ser identificada, contou que atendeu Palma e que ele realmente pediu emprego como chapa. No entanto, quando ela foi atender o telefone, o rapaz anunciou o assalto. Quando eu atendi o telefone ele apontou a arma. Pegou o dinheiro e saiu, disse. A ação foi tão rápida que não deu tempo nem da vítima ver por onde o assaltante havia fugido. Eu fiquei tão assustada que nem vi quando ele fugiu e atirou contra o mototaxista, ressaltou.

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