A entidade, que completa 25 anos hoje, busca saber o projeto de vida pessoal e profissional de cada um dos usuários.
A Sociedade de Reabilitação e Reintegração do Incapacitado (Sorri) de Bauru, que hoje está completando 25 anos de atividades, considera que a maior dificuldade enfrentada pelos portadores de deficiências é entrar no mercado de trabalho. Apesar da legislação atual determinar que as empresas destinem um percentual de vagas para os deficientes, muitos não têm a capacitação exigida pelo mercado.
Por isso, a Sorri oferece atendimento individualizado, que busca saber qual o projeto de vida pessoal e profissional de cada um dos usuários. A partir daí, o usuário é encaminhado para atividades de sua área de interesse visando a capacitação para o mercado de trabalho. Dessa forma, o portador de deficiência terá mais facilidade em desempenhar a atividade escolhida, explicaram João Carlos de Almeida, o JOÃOBIDU, presidente da Sorri, e Maria Elisabete Nardi, administradora da entidade.
A Sorri atende, atualmente, cerca de 150 pessoas entre portadores de deficiência física, auditiva, visual parcial, mental e múltipla, além de portadores de hanseníase e alguns casos sociais, em programas de reabilitação e capacitação profissional. Nos 25 anos de atividade em Bauru, já passaram pela entidade 6.991 usuários, sendo que 355 conseguiram entrar no mercado de trabalho.
Tânia Regina dos Santos, 20 anos, é uma das usuárias da Sorri que conseguiram ingressar no mercado de trabalho. Freqüentando a Sorri há seis meses, ela está, há um mês, trabalhando como secretária numa empresa da cidade. Ela disse que antes de ser atendida na Sorri havia procurado emprego diversas vezes, sem nunca conseguir vaga.
Ela é uma das usuárias que chegou à Sorri já capacidade para ingressar no mercado de trabalho. Tânia, que é portadora de deficiência física, contou que, antes de procurar a entidade, fez um curso básico de secretariado e contabilidade, mas mesmo assim não conseguia emprego. Escolhi uma área que não exigisse muitos esforços físicos. Estou gostando muito de trabalhar e pretendo continuar os estudos, disse.
O auxiliar de escritório Cleberson Mesquita Silva, 22 anos, é outro usuário da Sorri que está no mercado de trabalho. Ele, que também é portador de deficiência física e está sendo atendido na Sorri há um ano, contou que esse é o seu terceiro emprego. Foi também através da entidade que ele conseguiu o atual emprego, considerado melhor que o anterior. Os planos dele também são de continuar os estudos, ingressando numa faculdade.
Maria Elisabete explicou que muitos usuários, diferente de Tânia e Cleberson, chegam à Sorri analfabetos e dependentes de ajuda para locomover-se e para outras atividades do cotidiano. Além de tentar inserir o portador de deficiência no mercado de trabalho, a Sorri trabalha para que ele tenha o máximo possível de autonomia de locomoção e nas atividades do dia-a-dia. Há muitas pessoas que chegam aqui sem saber ler e escrever, que quase não saem de casa e que não conhecem dinheiro, contou.
Após o usuário explicitar qual é o seu objetivo pessoal e profissional, a Sorri o encaminha para programas de acordo com sua expectativa. Funcionam na entidade uma classe de alfabetização e vários programas profissionalizantes, como fabricação de bonecas de pano e cestaria em jornal, materiais que são comercializados pela própria Sorri.
A profissionalização também ocorre através da prestação de serviços a empresas feita pela Sorri. Nesses programas, os usuários da entidade executam, nas dependências da Sorri, atividades profissionais para as empresas conveniadas, como envazamento de produtos, costura de peças de roupa, encadernação de material, entre outros.
Outra área de profissionalização é a culinária, na própria cozinha que fornece a alimentação para os usuários da Sorri. Mas se o usuário quer profissionalizar-se numa área que a Sorri não oferece nenhum programa, ele é encaminhado para outras entidades da cidade onde poderá aprender a atividade, de acordo com Maria Elisabete.
Anderson Ricardo de Paula Lopes, 16 anos, portador de deficiência física, há dois anos na Sorri, está se preparando para o mercado de trabalho. Ele trabalha com cestaria em jornal e faz envazamento e etiquetagem de produtos, serviços prestado pela Sorri. Anderson, que está fazendo curso supletivo, espera uma vaga no mercado de trabalho. Ele acredita que, além da profissionalização, o fato de ter que cumprir horários e a convivência com instrutores e colegas nos programas da Sorri ajudaram muito, pois assemelha-se a empresas comuns.
Eliana Aparecida Miguel, que está fazendo o curso supletivo da Sorri e ajuda na cozinha da entidade, disse que aprendeu muito nos últimos anos. Antes de ser atendida na Sorri ela, que é portadora de deficiência mental, contou que pouco saía de casa. Agora, após quase três anos de atendimento, está mais integrada à sociedade, participando de várias atividades sociais.
Legislação
Empresas que empregam de 100 a 200 pessoas - 2% das vagas para deficientes
Empresas que empregam de 201 a 500 pessoas - 3% das vagas para deficientes
Empresas que empregam de 501 a 1000 pessoas - 4% das vagas para deficientes
Empresas com mais de mil empregados - 5% das vagas para deficientes