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Grupo resiste à nova fábrica da Tilibra

Paulo Toledo
| Tempo de leitura: 3 min

O grupo de acionistas de Olga Coube acredita que o momento não é de investimento em ativos imobilizados.

Os estudos de viabilidade realizados pela diretoria da Tilibra S/A, maior fabricante de cadernos do Brasil e terceira da América Latina, para a implantação de uma segunda fábrica, na Bahia, encontra resistência do grupo de acionistas de Olga Coube, viúva de Sérvio Túlio, que detém 34,65% das ações da empresa.

Caio Coube, um dos filhos de Olga Coube e porta-voz do grupo, afirma que a posição contrária está amparada, inclusive, no parecer da consultoria contratada pela diretoria atual, comandada pelo presidente Rubem Coube, o único filho vivo de João Baptista Coube, fundador da empresa, e pelo diretor-superintendente, Pedro Henrique Coube, que representa os acionistas ligados a Maria Silvia Coube, viúva de Henrique Coube, a Nieto, que não recomenda expansão da empresa.

Os dois grupos de acionistas que dominam a atual diretoria somam 65,35% das ações da empresa, o que lhes permitiria decidir pela implantação da nova fábrica, independentemente do posicionamento do grupo de Olga Coube. Porém, o embate de idéias deve ocorrer.

De acordo com Caio Coube, a Tilibra não tem problema de capacidade instalada e os investimentos realizados nos últimos anos permitem a cobertura de praticamente todo o crescimento esperado que, conforme projetado, deve chegar a 2006 com um volume de produção de 48 mil toneladas por ano.

Caio Coube disse que a empresa chegou ao atual volume de produção e faturamento graças a um ambicioso plano de investimentos realizados entre 1994 e 1997 e, recentemente, com a incorporação de uma nova impressora de quatro cores, da marca Roland. Ele afirma que, segundo o planejamento e as recomendações da Nieto e do Banco Pactual (contratado para uma consultoria, já realizada, pelo grupo de Olga Coube), o momento é, fundamentalmente, de utilizar os resultados para reposição de capital de giro próprio da empresa, reduzindo a dependência de uso de capital de terceiros (financiamento bancários) durante o período de entressafra.

Um documento apresentado em uma reunião interna da Tilibra, na terça-feira, pelo grupo de acionistas de Olga Coube, afirma que a proposta da fábrica na Bahia é totalmente incompatível com a realidade da empresa. De acordo com Caio Coube, a proposta não agregará valor às operações da indústria bauruense, mas apenas custos fixos, além de uma indesejável imobilização de capital, para uma empresa que opera em um mercado extremamente sazonal. Então, nosso grupo viu essa notícia (do estudo da nova fábrica) com aflição, destacou.

Além disso, diz o documento, o Centro de Distribuição é capaz de atender a todo o Brasil de forma ágil, econômica e sem atrasos. Quanto à exportação, o Hemisfério Norte (principal mercado) utiliza a capacidade instalada no período de baixa temporada, quando há ociosidade. E os mercados da América Latina tornam ainda mais ridícula essa questão de plataforma de exportação, coloca rebatendo o anunciado por Pedro Coube, em matéria veiculada na última terça-feira.

Para Caio Coube, a Fabricante Bahia Sul está em seu papel de tentar atrair para a Bahia empresas transformadoras de papel, assim como o governo baiano de oferecer incentivos fiscais para atrair novas empresas. Acho, até, que a Tilibra está em seu papel de aceitar o convite da Bahia Sul para conversar e, depois, declinar do convite, em função da não-necessidade, afirmou.

Na última terça-feira, a direção da Tilibra informou estar realizando estudos estratégicos para instalação de uma nova fábrica na Bahia, a convite da Bahia Sul, a segunda maior fornecedora de papel da empresa a primeira é a Votorantin Papel e Celulose (VCP). A empresa, caso decida pelo investimento, deve receber incentivos fiscais do programa o Pró-Bahia, que está sendo reestruturado pelo governo baiano, e contar com apoio, também, na infra-estrutura. O resultado dos estudos deve sair em outubro e a decisão em dezembro.

Um analista de mercado afirmou que, caso a Tilibra abra uma fábrica na Bahia, recebendo bons incentivos fiscais, com o passar do tempo, a tendência é que Bauru perca a fábrica fundada por João Coube, a maior empregadora privada do município, gerando desemprego. Vai ser lamentável para a cidade, destacou.

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