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História de pescador: A vedete da pescaria

(*) Irineu Santana
| Tempo de leitura: 4 min

Por mais repetitivas que são as nossas pescarias, no mesmo rio, mesmo local, mesma turma, sempre acontece um fato novo, as vezes desagradáveis, hilários e até mesmo curiosos.

Na nossa última pescaria, que é o objeto desta narrativa, aconteceu um fenômeno da natureza, que vocês saberão mais adiante.

Desta vez, iríamos para posar na beira do Corgo do Meio. Para quem não conhece é um importante braço do rio Tietê, em Bacuriti - Distrito de Cafelândia. A turma já estava escalada: Meu irmão japonês Fernando Tatemoto, sr. João Fernandes dos Santos, que fabrica a melhor garapa da região, o Joãozinho, filho do sr. Manezinho Pedreiro, o Lico, aquele mesmo, metido a violeiro e eu, Irineu Santana, popularmente conhecido como Café.

Combinei com o meu irmão japonês, que passaria na casa da mãe dele, ainda de madrugada, para irmos juntos fazer a feira da comida que levaríamos para a beira do rio, sem que os demais integrantes da turma soubessem.

Eram mais ou menos quatro horas da madrugada, peguei o meu irmão, que também não sabia de nada até então e fomos na casa do meu querido paixão, sr. Dito do Centro (famoso pelas bondades que pratica, benzendo toda a sociedade necessitada, independente de dia e horário. Está sempre pronto a ajudar. Só faz o bem para todo mundo e sempre é traído nas urnas eleitorais) e começamos a nossa coleta. Usando de nossas habilidades dos tempos de moleque, em total silêncio, entramos no quintal e tomamos por empréstimo (que nunca vamos pagar ou devolver) dois belos frangos caipiras. Apesar dos cacarejos, ninguém da casa desconfiou de nada.

Primeira missão cumprida com total êxito, partimos para a segunda, que era colher verduras e legumes na horta do Joãozinho. Fiquei um pouco receoso, pois sei como ninguém o carinho com que ele cuida da horta, mas o espírito de aventura falou mais alto. O sucesso nem preciso comentar, salvo os latidos do cachorro, que foi logo corrompido com um pedaço de mortadela, que eu já havia provisionado para tal situação de risco.

Bem, na casa do sr. João, fomos completar a nossa feira, arrancando alguns pés de mandioca, para fazer um belo ensopado com os frangos. Ainda escuro, pois eram cinco horas da manhã, ensacamos as mandiocas e colocamos no porta malas do carro e fomos para casa dormir e aguardar o momento da saída.

Pouco antes das 8 horas, acordei o Fernando e fomos ao encontro do sr. João e do Lico, que estavam no Bar do Shi, isso mesmo, eram 8 horas da manhã e os caras já estavam se abastecendo. Passamos no Bar da Ruth para pegar o Joãozinho, que já estava a nossa espera e para nossa surpresa tomando água, imaginem a ressaca.

Para encurtar a história, a pescaria transcorreu tudo normalmente, os maiores peixes escaparam e assim por diante.

Ao entardecer, quando voltamos para o acampamento, varados de fome, eu, como sou o gourmet da turma, distribuí as tarefas, cabendo ao meu irmão fazer as saladas, ao Joãozinho e ao Lico, matar e limpar os frangos e ao sr. João, sobrou descascar as mandiocas, que eram da sua plantação, mas ele não sabia.

Estava eu, acendendo o fogo do improvisado fogão, quando ouvi uma estrondosa gargalhada da galera, motivada pelo pedaço de mandioca que estava nas mãos do sr. João. Se fosse apenas contado, seria duvidado, mas olhem a foto ao lado e digam com o que, ou com a de quem parece e tirem suas próprias conclusões.

O sr. João, sabe lá Deus porque, depois de um longo período de admiração daquela inusitada peça, sugeriu que era melhor preservá-la para uma seção de fotos, digna de capa de qualquer revista do gênero masculino. O Joãozinho e o Lico, tempestivamente contra, queriam colocá-la na panela para descobrir qual era o sabor. Diante do saudável impasse, acatamos a sugestão do sr. João, mesmo porque, tinha um saco de mandiocas.

Os nossos fornecedores dos ingredientes: frangos caipiras, verduras, legumes e mandiocas, que estavam uma delícia, na acepção da palavra, somente agora ficarão sabendo quem foram os autores daqueles estragos.

Com a ajuda do Jornal da Cidade e principalmente da redatora Roberta, que já a consideramos nossa amiga por ter nos aturado em várias matérias, temos certeza de estarmos divulgando este fenômeno da natureza mundão afora.

Outras fotos, bem mais calientes da nossa vedete da pescaria, poderão em breve ser apreciadas em nossa página virtual que estamos construindo com o sugestivo site de: cafecommandioca.com.br

Aguardem, avisaremos.

Abraços a todos. Fiquem com Deus e até a próxima.

(*) Irineu Santana (Café) é pescador, cozinheiro, contador de causos pitorescos mas verídicos.

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