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TELESSEGURANÇA DO MILHÃO

Rafael Moia Filho
| Tempo de leitura: 2 min

O recente episódio envolvendo o seqüestro da família Silvio Santos, fato inédito no mundo da criminalidade pela volta do mesmo criminoso à casa do seqüestrado, horas após ter seqüestrado a filha do empresário, trouxe à tona novamente a fragilidade da segurança pública em nossas cidades. Se um multimilionário passou por horas intermináveis de aflição, como descrever a situação da classe média no cotidiano de qualquer cidade brasileira?

Seria trágica se não fosse cômica a declaração oportunista do governador do Estado do Rio de Janeiro, Antony Garotinho, sobre a possibilidade de ajuda por parte da eficiente polícia daquele Estado. O misto de pastor e governador parece que já se esqueceu do episódio que vitimou uma garota inocente num dos maiores fiascos que a polícia carioca protagonizou nos últimos cem anos, quando do seqüestro de um ônibus na Cidade Maravilhosa.

Outro aspecto que merece ser lembrado para uma maior reflexão foi a declaração estapafúrdia do ministro da Justiça, José Gregóri, dizendo-se satisfeito com o desfecho do seqüestro sem vítimas em São Paulo. Algum aspone deveria ter lembrado ao ministro que não houve vítimas ricas no episódio, mas que faleceram dois policiais que trabalhavam e sustentavam suas famílias com um salário miserável . O ministro, bem como o governador Alckmin pouco estão se lixando para os policiais, para os trabalhadores, enfim para a sofrida e espoliada classe média brasileira. Importam-se e muito com a classe dominante. Para quem trabalha e de quem recebem fortunas na época da eleição a titulo de doação para campanha eleitoral.

Quanto à presença do governador paulista na casa do empresário, o tiro saiu pela culatra no que tange à tentativa de angariar popularidade com o fato, pois a grande maioria sensata da população brasileira, entendeu a questão como mais um gesto de fraqueza daqueles a quem se espera equilíbrio e sensatez.

Talvez fosse melhor que o governador pudesse visitar as delegacias de polícia, os quartéis da PM, os Postos do Corpo de Bombeiro, da Polícia Florestal e verificar in loco que nada foi feito nos últimos seis anos de governo de sua gestão. Nada de remuneração digna para aqueles que salvam vidas, nada de treinamento e aquisição de novas tecnologias, nada de novas leis mais severas para os criminosos que atormentam a nossa sociedade, nada de presídios seguros nos quais os criminosos possam trabalhar enquanto pagam suas penas para a sociedade, nada de uma solução definitiva para a criminalidade e delinqüência juvenil que ficam à mercê dos depósitos fétidos da Febem. Se fizesse esse périplo por essas áreas, talvez o governador percebesse o quanto foi inócua sua visita ao empresário milionário.

Para a população restam as próximas eleições e a esperança antecipada, de que não haja segundo turno entre o candidato que supermalufou túneis na capital paulistana e o candidato que permitiu a construção de inúmeros túneis no presídio do Carandiru. (Rafael Moia Filho)

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