Geral

Bomba explode em escola de Iacanga

Tânia Fonseca
| Tempo de leitura: 4 min

A explosão aconteceu por volta das 21h25, pouco depois dos alunos retornarem para as salas de aula, após o intervalo.

Iacanga - Estudantes, funcionários e professores da Escola Estadual Padre Jorge Matar, em Iacanga, foram surpreendidos na noite de anteontem, por uma forte explosão, ocorrida no banheiro masculino da escola. A bomba, aparentemente de fabricação caseira, muito provavelmente foi colocada sob o mictório. Apesar do susto e danos causados ao prédio, ninguém ficou ferido.

No final da tarde de ontem, a polícia chegou a dois estudantes, de 15 e 14 anos, cujas identidades não foram reveladas, e que teriam confessado participação no caso. Eles teriam alegado que encontraram a bomba, já no banheiro e não faziam idéia da gravidade de sua explosão. As declarações dos menores serão investigadas mais detalhadamente durante o inquérito policial que já foi instaurado, pelo delegado Kleber de Oliveira Granja.

Uma das providências que a polícia tomou ontem mesmo foi fazer um levantamento junto ao comércio, para checar a comercialização de materiais que possam ter sido utilizados na confecção do artefato, como pólvora, por exemplo. A Polícia Técnica compareceu ao local e deve emitir um laudo nos próximos dias, revelando alguma peculiaridade do material utilizado.

Numa análise superficial, os policiais suspeitaram que a bomba foi montada a partir de material explosivo retirado de rojões. Também teriam sido utilizadas bolinhas de gude, que durante a explosão teriam efeito semelhante ao de projéteis.

A explosão, segundo a vice-diretora da escola, Eliza Franco Constantino, aconteceu por volta das 21h25, um pouco após os cerca de 400 aluno do ensino médio, retornarem para as classes, após o intervalo. Eliza disse que depois que os estudantes voltaram para a aula, ela permaneceu no pátio, como sempre faz, dando uma checada para ver se estava tudo em ordem. Não percebeu nada de anormal e logo houve a forte explosão, um barulho que chamou a atenção de todos que estavam no estabelecimento. Assim que a bomba explodiu, a Polícia Militar foi acionada e compareceu ao local. Houve rcontagem de alunos tanto para saber os nomes daqueles que estavam quanto daqueles que não estavam no estabelecimento. De acordo com a diretora, depois da explosão, as aulas ainda continuaram e ontem o dia também seguiu normalmente.

Força da explosão

Por sorte, disse a vice-diretora, ninguém usava o banheiro no momento da explosão. Segundo a polícia, caso algum estudante estivesse no local, é bem provável que seria atingido de alguma forma. Para se ter uma idéia do impacto, com a explosão, o mictório de aproximadamente dois metros de comprimento, que era fixo por coluna de alvenaria, foi arrancado e várias luminárias quebradas. O barulho pôde ser ouvido de longe.

Síndrome dos EUA

O fato da bomba ter explodido à noite, não significa, segundo a polícia, que ela tenha sido colocada no banheiro, nesse período. Como bem lembrou o dirigente de ensino, Jair Sanches Vieira, pode ter sido alguém de outro período ou até alguém de fora, que nem mesmo estude naquele estabelecimento.

O dirigente de ensino disse que ficou sabendo da explosão através da direção da escola e ficou surpreso até mesmo porque a Padre Jorge Matar é considerada uma das escolas mais tranqüilas da região. Até brinquei com a vice-diretora, dizendo que é a sindrome dos Estados Unidos. Talvez eles tenham visto tanta coisa estilhaçando, que acharam interessante.

Papel de educador

Diante do acontecido, o dirigente de ensino disse que o procedimento normal é a convocação do Conselho Escolar para discutir a questão. Caso as investigações da polícia concluam que a bomba foi mesmo obra de algum aluno, esse estudante poderá receber uma advertência ou uma suspensão. Expulsão não, explica Vieira, até porque o papel da escola é o de educador e não de excluir o infrator do sistema educacional. O que a gente normalmente faz é chamar a atenção da escola inteira porque o nosso papel tem que ser o de educador. E é nesse momento, diz Vieira, que se tem que entrar com os alertas junto aos estudantes, sobre a importância do zelo ao patrimônio público e principalmente à vida.

Quanto aos danos ao patrimônio público, o dirigente de ensino disse que após o registro oficial da ocorrência, através do BO e laudo pericial, a direção deverá providenciar o reparo, até mesmo porque o banheiro é uma necessidade entre os estudantes.

Comentários

Comentários