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Telefonia: terceirização triplica vagas

Sabrina Magalhães
| Tempo de leitura: 2 min

Em contrapartida, sindicato reclama de redução nos salários, corte de benefícios e problemas com alojamentos.

A terceirização na telefonia brasileira trouxe um saldo positivo para o setor no Estado de São Paulo: quase triplicou a oferta de empregos. O número de trabalhadores aumentou de 35 mil para 100 mil de 1998 para cá, de acordo com o Sindicato dos Telefônicos de São Paulo (Sintetel). Um resultado absolutamente contrário aos esperados em processos deste tipo. No entanto, o sindicato reclama que o aumento de 185% na geração de postos de serviço veio acompanhado de redução nos salários, corte de benefícios e piora nas condições de trabalho.

O presidente do Sintetel, Almir Munhoz, explicou que os trabalhadores não reclamam da diferença salarial porque as empresas oferecem um adicional por produtividade. No final do mês, o ganho é praticamente o mesmo (ou maior), só que esse valor da produtividade não é repassado para o Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS), nem para adicional de férias, horas extras, aposentadoria ou rescisão contratual, que têm o salário fixo como base de cálculo, destacou. Atualmente, segundo ele, o piso da categoria é de R$ 468,00.

Outra desvantagem da terceirização apontada por Munhoz foi o corte de alguns benefícios, como vale refeição, vale transporte, cestas básicas e o adicional de periculosidade, equivalente a 30% do salário, que a maioria das empresas deixou de pagar. Também caiu a qualidade das condições de trabalho, como falta de fiscalização no uso de equipamentos de proteção, falta de treinamento ou mesmo oferta de alojamentos ruins, com problemas de higiene e segurança, completou.

Ele lembrou que, apesar deste aumento na oferta de empregos, é preciso cautela nas comemorações, pois o mundo vive uma crise muito importante neste momento. E a expectativa é de demissões em massa, como vem sendo anunciado por grandes empresas, inclusive no Brasil. A própria Telefonica anunciou que deverá reduzir 800 funcionários de seu quadro. Provavelmente, agora em outubro, disse.

Prioridades

O Sintetel promoveu, em Bauru, uma reunião para discutir as diretrizes e elaborar o programa da diretoria recém-assumida para os próximos quatro anos de mandato. Entre as prioridades eleitas o sindicato deverá voltar seus esforços para uma melhoria na qualificação e requalificação dos trabalhadores, com oferta de cursos e treinamentos em todo o Estado.

Além das lutas sindicais, como ampliação de vagas, manutenção do emprego e redução na jornada - que parece ser a única saída para aumentar a oferta de postos de serviço no mundo, observou. Paralelamente, o Sintetel deverá promover alterações e ampliações em sua estrutura - uma restruturação para garantir o bom atendimento desta demanda de trabalhadores, que triplicou nos últimos anos.

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