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Vários segmentos da sociedade bauruense se reuniram, ontem, para pedir que o prédio da estação ferroviária da Noroeste do Brasil seja preservado.

Rita de C. Cornélio
| Tempo de leitura: 3 min

Pessoas ligadas à História, estudantes, sindicalistas e políticos participaram do ato em frente à estação ferroviária.

Vários segmentos da sociedade bauruense reuniram-se ontem para pedir que a estação ferroviária da Noroeste do Brasil (NOB), na Praça Machado de Mello, seja preservada. O ato, batizado de Ação pela Estação, teve como objetivo mobilizar a comunidade contra a degradação das ferrovias no Brasil e em Bauru. Historiadores, estudantes, sindicalistas, políticos e o poder público marcaram presença.

O historiador e professor João Francisco Tidei de Lima disse que o ato público, que reuniu mais de 200 pessoas, foi um apelo à sociedade para que ela se organize e defenda não só o patrimônio histórico ferroviário, mas que também chame a atenção para as ferrovias brasileiras.

Ele entende que a ferrovia é o meio de transporte de massa mais civilizado que foi inventado pelo homem e, por isso, é o transporte de massa por excelência dos países civilizados. O Brasil jogou fora suas ferrovias. Queremos chamar a atenção para o descalabro da nossa malha ferroviária. O Brasil tem hoje a mesmo malha ferroviária que tinha em 1924. Nesta época, porém, ela funcionava, estava inteira. Hoje, ela é um monte de sucata, frisou.

O professor frisa que a preservação do patrimônio ferroviário é importante não apenas como um símbolo de uma era. A memória não é uma coisa morta, é viva. É fundamental a preservação desse patrimônio até para que a gente possa construir corretamente a nossa memória, saber quem somos. A memória é fundamental para construir a identidade de um povo de uma cidade, de uma comunidade e Bauru sempre foi uma cidade ferroviária, disse.

João Francisco lembrou que há meio século Bauru era servida por 28 trens de passageiros, diariamente, além dos trens de carga. A cidade pulsava através da sua ferrovia; a principal categoria de trabalhadores era dos ferroviários. Não existe forma de você desvincular Bauru da ferrovia e esta estação é o símbolo maior e que hoje está abandonada. Uma estação como esta são poucas no mundo, afirmou.

O historiador acha que a estação deve voltar a funcionar. Ela tem que voltar a funcionar como estação ferroviária. É claro que eu não sou ingênuo de achar que o trem vai voltar a circular amanhã. Mas, até que isso ocorra, é preciso que seja preservado. A cidade tem que se mobilizar e exigir que o poder público assuma sua responsabilidade no sentido de recuperar e preservar, disse.

O professor e ex-ferroviário Isaias Daibén compactua com a opinião do professor João Francisco Tidei de Lima. Ele acha que em virtude da política neoliberal o governo entregou, destruiu e deteriorou as ferrovias brasileiras. A cidade de Bauru surgiu na baixada do Silvino, mas ganhou impulso nessa região (da ferroviária), disse. Daiben acha que o ato simbólico deve alimentar um processo futuro de recuperação da ferrovia.

Poesia

A Academia Bauruense de Letras também participou do ato público. Seu representante, Joaquim Simões, fez questão de ressaltar que a academia defende a preservação do patrimônio público. Vamos participar sempre de atos que defendam a história e a dignidade da cidade, disse.

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