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Falsificação usa até dinheiro antigo

Ieda Rodrigues
| Tempo de leitura: 4 min

Entre as últimas falsificações, a Polícia Federal descobriu que cédulas de cruzeiro estão sendo usadas para fazer reais.

Apesar de a Polícia Federal não ter registrado nenhum derrame de notas falsas recentemente em Bauru, há informações extra-oficiais de que é bastante comum a circulação de dinheiro falso na cidade, inclusive nos caixas eletrônicos dos bancos. A cada dia os falsificadores buscam novas formas de driblar a polícia e a população. Uma delas é usar notas de dinheiro que já saiu de circulação, como o cruzeiro, para fazer notas de real.

O mais comum, no entanto, são as falsificações computadorizadas, que têm como base notas de real verdadeiras. Esta semana, por exemplo, pelo menos dois comerciantes de Bauru receberam notas de R$ 10,00 falsas - um na sua loja no Centro e outro no seu estabelecimento nos Altos da Cidade. Sem identificar-se, eles contaram à reportagem do JC que só verificaram que se tratava de notas falsas depois que os clientes que as havia passado saíram das lojas.

Amargando o prejuízo, uma vez que repassar essas notas é proibido por lei, os comerciantes recomendam mais cuidado ao receber dinheiro, principalmente nota de R$ 10,00. O delegado-titular da Polícia Federal, Antonio Vaz de Oliveira, confirma que a nota falsa apreendida em maior número atualmente é a de R$ 10,00.

Vaz lembrou que há poucos meses foram apreendidos R$ 44 mil em notas de R$ 10,00 falsas em Itápolis. Por atender muitas cidades, a Polícia Federal não tem um levantamento exato de quantas notas falsas foram apreendidas apenas em Bauru neste ano. Mas o delegado lembrou que no início do ano foram presas três pessoas na cidade que estavam passando 70 cédulas de R$ 50,00 cuja falsificação era de boa qualidade.

Duas das três pessoas presas, inclusive, já foram condenadas. Porém, o mais comum, em tratando-se de dinheiro falso, são apreensões esporádicas, normalmente de apenas uma nota. Na maioria dessas apreensões, de acordo com Vaz, quem recebeu a nota falsa, e só percebeu a falsificação depois que a pessoa que a passou foi embora, é que procura a polícia.

A novidade nas falsificações é o uso de dinheiro fora de circulação, como o cruzeiro, segundo o delegado-titular da Polícia Federal. Com uma nota de cruzeiro, os falsificadores fazem notas de R$ 50,00 e 100,00 falsas através do processo de lavagem química da nota. Até pouco tempo, era mais comum a apreensão de nota falsa de R$ 100,00 feita a partir de uma nota de R$ 1,00 e de R$ 50,00 feita a partir de nota de R$ 5,00, através do processo de lavagem da nota verdadeira.

Para tentar evitar a falsificação, o Banco Central, há algum tempo, fez uma alteração nas notas de R$ 1,00 e R$ 5,00. As notas de R$ 1,00 e R$ 5,00 passaram a não ter mais o fio de segurança, a película preta no meio da cédula, que continua presente nas notas de R$ 10,00, R$ 50,00 e R$ 100,00.

Outra alteração ocorrida é quanto à marca dágua. Na época da instituição do real, a marca dágua das notas de todos os valores era a efígie. Para tentar evitar as falsificações, a marca dágua das notas de R$ 1,00, R$ 5,00 e R$ 10,00 passou a ser a Bandeira do Brasil. Com essas duas mudanças, ficou mais difícil a transformação de uma nota de R$ 1,00 em R$ 100,00 e de R$ 5,00 em R$ 50,00.

Mesmo com esses dificultadores, notas falsas continuam sendo apreendidas. Por isso, a orientação da Polícia Federal é que as pessoas observem bem a nota ao recebê-la e, sempre que possível, compare-a com outra do mesmo valor (leia quadro acima). O delegado-titular da Polícia Federal alerta que as notas falsas são passadas normalmente em locais de pouca iluminação e grande movimentação de pessoas, o que dificulta uma análise mais detalhada por parte de quem a recebe. Outra dica é desconfiar quando é apresentada uma nota de R$ 50,00 ou R$ 100,00 para pagar uma conta de valor bem inferior. Vaz ressalta que quem passa a nota falsa quer o troco em nota verdadeira.

Crime

Falsificar, guardar e colocar em circulação dinheiro falso é crime. O delegado-titular da Polícia Federal, Antonio Vaz de Oliveira, explicou que a pena nesses casos é de três a 12 anos de reclusão. Recolocar nota falsa em circulação, mesmo tendo recebido-a achando ser verdadeira, também é crime cuja pena prevista é detenção de seis meses a dois anos e multa.

A orientação do delegado é que a população analise bem as notas de R$ 10,00, R$ 50,00 e R$100,00 ao recebê-las. Em qualquer dúvida, acione a polícia imediatamente. Se receber em caixa eletrônico uma nota suspeita de ter sido falsificada, a orientação da Polícia Federal é que a pessoa procure o banco o mais rápido possível e registre boletim de ocorrência.

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