Com formação universitária, técnica ou apenas prática, secretárias de todo o País comemoram seu dia hoje
A lei estadual n.º 1.421, de 26 de outubro de 1977 reconhece o dia 30 de setembro como o Dia da Secretária. E é com profissionalismo que estas trabalhadoras vão comemorar a data. Hoje, para tornar-se uma secretária executiva, é preciso cursar os quatro anos de faculdade, como em muitas outras profissões. Mesmo assim, existem milhares de trabalhadoras ocupando as funções de secretárias, assistentes ou auxiliares de administração e escritório que também vão comemorar a data amanhã.
É o caso de Vilma de Fátima Nunes, formada em Marketing, mas que ocupa o cargo de secretária há 13 anos. Era um sonho de criança, quando eu via minha tia - linda - trabalhando como secretária para uma multinacional. É motivo de muito orgulho quando você vê um trabalho dar certo, um evento ser um sucesso e ocorrer sem erros. Acho que a dica é trabalhar com prazer, em qualquer profissão, disse.
Mas, algumas vezes, o mercado profissional mascara a profissão com outras nomenclaturas, para fugir da obrigação salarial, como explica a secretária executiva Suely Regina Bettio: São trabalhadoras registradas como auxiliares ou assessoras, mas que desempenham todas as funções que uma secretária executiva desempenharia.
Além de exercer sua profissão, Bettio é professora das disciplinas Técnicas Secretariais, Cerimonial e Protocolo e Gestão Secretarial no curso de Secretariado Executivo Bilingüe da Universidade do Sagrado Coração (USC), em Bauru.
Bettio comentou que o mercado torna-se cada vez mais exigente, buscando competência, capacitação e versatilidade. O trabalho de uma secretária consiste em assessorar o executivo, o que inclui atividades administrativas, elaboração e redação de cartas e documentos, visitas internas e externas, contato com outros profissionais, inclusive de empresas e países concorrentes. Ela é uma ponte com o mercado e chega a participar diretamente de negociações e decisões de uma empresa, ressaltou a professora.
Outra observação dela é que o mundo moderno enfatiza a consciência de que a organização não depende de estruturas, prédios e máquinas, mas das pessoas que operam tudo isso. Então, a secretária tem que estar preparada para atender, conversar, relacionar-se, catalisar relacionamentos e fazer coisas para as quais o executivo pode não estar preparado. A secretária executiva vai complementar as deficiências do executivo, disse.
Em muitos casos, este complemento estende-se, inclusive, à vida particular do chefe, que incumbe a secretária de coordenar e gerenciar seus compromissos, pagamento de contas, data de aniversário e mesmo a compra dos presentes para filhos e esposa. Conforme o vínculo de confiança, a secretária deixa de ser uma auxiliar de negócios para se tornar assessora, braço direito e amiga do patrão.
Porém, a categoria enfrenta problemas também: A profissão está regulamentada por lei (desde 1985). Para ser secretária executiva, é preciso ter um registro profissional, como o jornalista, o médico, o advogado. Só que isso não é supervisionado hoje. Temos uma lei que nos ampara, mas não há fiscalização, ressaltou Bettio. Segundo ela, a média salarial de uma secretária bilíngüe na região Sudeste gira em torno de R$ 2 mil a R$ 2,5 mil. No entanto, a grande maioria das secretárias acaba ganhando entre R$ 400 e R$ 600, com um registro de auxiliar na carteira de trabalho.
Brasileiras são as melhores
De acordo com um artigo publicado no jornal inglês The Guardian, em 30 de abril deste ano, as secretárias brasileiras são as mais bem treinadas do mundo, graças à exigência legal, desde 1985, de formação universitária e registro profissional expedido por agência governamental (Ministério da Educação).
O mesmo artigo criticou o fato de o júri do concurso Secretary of the Year, que acabava de ser realizado na Inglaterra, ainda adotar a nomenclatura secretário(a), quando vários países da América, Europa, Austrália, Nova Zelândia e Extremo-Oriente já preferem chamá-los profissionais administrativos ou assistentes de gerência. Ainda assim, tanto o júri como o País mais avançado do mundo em termos de formação de secretárias - o Brasil -, optou-se pela manutenção do título tradicional.
O Dia da Secretária
Durante a segunda fase da Revolução Industrial (fase esta iniciada em 1860), Christopher Sholes inventou um tipo de máquina de escrever. Sua filha - Lilian Sholes - testou tal invento, tornando-se a primeira mulher a escrever numa máquina, em público.
Lilian Sholes nasceu em 30 de setembro de 1850. Por ocasião do centenário de seu nascimento, as empresas fabricantes de máquinas de escrever fizeram diversas comemorações. Entre elas, concursos para escolher a melhor datilógrafa. Tais concursos alcançaram sucesso, passando a repetir-se anualmente, a cada 30 de setembro.
Como muitas secretárias participavam, o dia passou a ser conhecido como o Dia das Secretárias. Com o surgimento das associações da classe de secretárias do Brasil, apareceram os movimentos para o reconhecimento da profissão. Das atividades das associações, uma das conseqüências foi a divulgação e popularização da data comemorativa. Em alguns Estados brasileiros, o dia foi oficialmente reconhecido. Em São Paulo, por exemplo, a lei nº 1.421 de 26/10/1977, reconhece e oficializa 30 de setembro como Dia da Secretária.
Há também o Dia Internacional da Secretária, que é comemorado na última 4ª feira do mês de abril. São Jerônimo é o santo protetor das secretárias. Ele foi secretário do Papa Dâmaso, que governou a Igreja Católica de 367 a 384 e seu dia também é 30 de setembro.
Fonte: www.fenassec.com.br