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Jovens são contra retaliação dos EUA

Redação
| Tempo de leitura: 4 min

Jovens da comunidade bauruense acreditam que o revide aos atentados terroristas não seja a melhor alternativa

Dias após o mundo ter parado para assistir às imagens dos aviões que colidiram contra as torres gêmeas do World Trade Center, em Nova Iorque, os atentados terroristas ainda são tema de discussões em diversos setores da sociedade, muito particularmente na comunidade jovem, que está vivendo ativamente um capítulo sem precedentes na história da humanidade. O JC foi saiu às ruas para ouvir aqueles que têm representação nesse segmento, assim como estudantes, e constatou que eles são contra uma retaliação por parte dos Estados Unidos.

O secretário executivo do Instituto Ambiental Vidágua, Ivan Ferrazoli de Marche, de 25 anos, tem, de maneira geral, uma visão contrária aos Estados Unidos. Acredita que, como potência mundial, o país tem intenção de dominar o mundo todo.

Quanto ao atentado terrorista, ele entende que o fato mostrou às pessoas de todo o mundo que a destruição de uma nação independe de armas ou de tecnologia. As poucas pessoas responsáveis pelo atentado conseguiram colocar notícias nos jornais após um minuto do que aconteceu, ressaltou. Além disso, defende que o Brasil não deve aliar-se aos Estados Unidos. Acredito que possa sobrar para nós também, justificou.

Na opinião de Ivan, a possibilidade de haver uma retaliação por parte dos Estados Unidos está fragilizada. Ele destaca o poder de guerra biológica do Afeganistão e considera que a força Taleban, aliada ao poder da religião existente no Oriente Médio, pode eliminar as chances de haver uma nova guerra. Eu acho que eles vão pensar duas vezes antes de contra-atacar, opinou.

O ambientalista ainda traçou um paralelo entre o fato ocorrido no último dia 11 e a guerra do Vietnã, a destruição de Hiroshima e Nagasaki e a guerra do Golfo, no que refere-se à abordagem da imprensa. Ele lamentaou que os noticiários tenham enfatizado as milhares de vítimas nos Estados Unidos, sem sequer mencionar os milhões de pessoas inocentes mortas nos conflitos anteriores, todos envolvendo os Estados Unidos. Não devemos pensar somente em seis mil vidas que desapareceram e nos brasileiros que sumiram lá, mas sim no sofrimento que o Japão amarga até hoj, como os casos de câncer e o extermínio de famílias inteiras. A gente deve rever o nosso conceito antes de proferir uma crítica sobre esse caso, sugeriu.

O coordenador diocesano da Pastoral da Juventude Antônio Carlos Martins Sampaio, de 34 anos, teme uma resposta dos Estados Unidos. Para ele, ainda não houve ataque de revide porque George W. Bush está sendo segurado por alguém.

Sob outra ótica, considerou Sampaio, os atentados de 11 de setembro fizeram com que os católicos intensificassem as orações pela paz no mundo. Muitos padres de Bauru estão aproveitando o encontro com os fiéis nas missas para passar mensagens sobre o assunto. É um momento para rezarmos pedindo pela paz. Por enquanto, é o que a gente pode fazer.

Militante da Juventude do PSDB de Bauru, Luís Eduardo Penteado Borgo, 24 anos, classificou o atentado terrorista como inevitável. Ele acredita que se não fosse esse, outro ataque seria planejado contra os norte-americanos.

Evangélico, Borgo enfatiza a ausência de amor ao próximo nos dias atuais. Tende a melhorar. Tem que acontecer alguma coisa, porque, por esse caminho, a gente está chegando ao fim, disse, criticando na seqüência a abordagem da mídia em relação ao atentado. Na opinião dele, as notícias costumam favorecer os Estados Unidos em detrimento dos países do Oriente Médio. Além disso, Borgo é contra um ataque como resposta ao atentado e não descarta a possibilidade de que os próprios norte-americanos tenham planejado ou sido os responsáveis pelo que aconteceu. Eu sou contra massacrar aquele povo (afegãos) para dar uma resposta, posiciona-se.

Também militante político, Alex Gasparini, representante da Juventude do PMDB, destacou a repercussão econômica dos ataques e, como muitos outros jovens, considerou que esses fatos são reflexos da política que os Estados Unidos estão desenvolvendo no mandato de George W. Bush. Uma série de avanços que haviam acontecido na era Clinton acabaram regredindo no mandato do Bush, observou.

Sobre a retaliação, Gasparini não esconde preocupação diante da possibilidade de o país do Tio Sam desenvolver mais ostensivamente o papel de polícia que tem sido aplicado em diversos pontos do planeta. Eles vão reproduzir agora uma política bélica, acentuou.

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