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Hidrelétrica afundou a ponte em 64

Adilson Camargo
| Tempo de leitura: 3 min

Assim que as comportas da usina hidrelétrica de Bariri foram fechadas, a ponte ficou 11 metros abaixo da superfície

Boracéia - A construção da usina hidrelétrica de Bariri foi a grande responsável pelo desaparecimento da ponte que unia Itapuí e Boracéia. Após sua inauguração, em 1964, a usina inundou uma vasta região ribeirinha, com o represamento da água, e entre os prejuízos ficou a ponte de concreto com cerca de 300 metros de extensão. Como forma de indenização, o governo passou a fornecer o serviço gratuito de balsa para atender as duas comunidades. A partir daí, o tempo gasto para fazer a travessia e os riscos passaram a ser os dois principais motivos de reclamação dos passageiros.

O presidente da Câmara de Boracéia Edmundo de Barros Francischini (PTB), 59 anos, conta que, antes da ponte de concreto, existia uma outra de madeira. Segundo consta, ela foi construída por proprietários agrícolas de Itapuí, que tinham plantações de café em Boracéia, que naquela época chamava distrito de Floresta e pertencia a Itapuí (emancipação foi em 1959). Por ser de madeira, a ponte não resistiu a uma forte chuva, que desabou sobre as duas cidades em 1929, e foi levada água abaixo pela enchente.

Depois disso, Francischini relata que o Governo do Estado liberou recursos para a construção de uma nova ponte; só que desta vez foi usado concreto como material de sustentação, e contou com a participação das duas cidades. No entanto, a ponte só foi utilizada durante os 35 anos que se seguiram. Na década de 60, veio o início das obras da hidrelétrica, em Bariri, e a partir de então começou a contagem regressiva para o desaparecimento da ponte.

Ponte continua em pé

Em 1964, com a inauguração da usina a ligação entre Itapuí e Boracéia passou a ser feita por meio de balsa. Enquanto isso, a ponte afundou cerca de 11 metros da superfície. Por causa desta distância, previamente calculada, não foi preciso implodi-la, ou seja, hoje é bem possível que ainda esteja em pé, no fundo do rio.

Pouco antes do fechamento das comportas da usina (o que aumentou o nível do rio na região), Francischini lembra que não houve acordo para a construção de uma nova ponte. Quando a usina estava para fechar as comportas, levantou-se um movimento reivindicando uma nova ponte, mas Boracéia não se esforçou como deveria. Itapuí, segundo o vereador, mostrou maior interesse, principalmente José Carlos da Rocha Barros, que tanto lutou pela obra que acabou recebendo o apelido de Zé da Ponte.

Contador aposentado, Francischini relembra o início da operação da balsa. Era uma embarcação muito pequena, com capacidade para transportar apenas 36 toneladas e que transportava, no máximo, oito carros pequenos. Quando chegava ônibus de linha, era ele e mais um ou dois carros. Então, era um sacrifício medonho para quem tinha de se locomover de um lado para outro.

Promessa do governador

O vereador mostrou até mesmo um documento assinado por Adhemar de Barros, então governador do Estado, datado em 14 de junho de 1963. No documento, o governador faz referência a supostos compromissos de campanha, dentre os quais estaria a nova ponte.

No Governo do Estado não tenho esquecido os compromissos de minha campanha, tanto que já autorizei o início das obras da ponte sobre o rio Tietê, em Itapuí, e espero, em Deus, poder inaugurá-la juntamente com a usina de Bariri, em meados do próximo ano, diz o documento.

Até hoje não se sabe ao certo o que realmente aconteceu com a autorização do governador. A única certeza é que a ponte nunca foi construída. O comentário que mais se ouve nas duas cidades é que, em troca da ponte, o governo teria se comprometido a executar o serviço de travessia gratuitamente por tempo indeterminado.

Além disso, estradas de acesso à balsa seriam construídas com recursos públicos, em ambos os lados. Ao que tudo indica, foi isso o que realmente deve ter acontecido. O compromisso do governador parece não ter passado de mais uma promessa de campanha.

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