Coração é a palavra que resume nossa visita aos pacientes do Hospital de Base. A realidade é muito mais triste do que imaginamos. Não basta ter coragem para ser um voluntário da saúde, é preciso estar com Deus no coração. Sem fé, não somos nada. A doutrina espírita prega: fora da caridade, não há salvação. Para nós, ávidos estudantes, acompanhar, nesta ensolarada tarde de quarta-feira, do dia 15 de agosto, estas doces senhoras, no hospital, foi uma lição de vida. Lembrando que os voluntários só assistem a pacientes atendidos pelo Sistema Único de Saúde. Iniciamos nossa longa e árdua caminhada na Brinquedoteca, lugar esse, onde estagiários de psicologia da Universidade Estadual Paulista (Unesp) brincam com as crianças doentes. Essa salinha foi inaugurada no dia 28 de junho de 1996, por Shichiro Otake.
Seguimos à Pediatria, disfarçados de voluntários, nós vestíamos os prodigiosos jalecos amarelinhos. Essa é a primeira divisão a ser visitada pelos voluntários, para evitar o risco de contaminação às crianças. Cada setor é dividido por patologia. A alegria e o carinho com o qual as crianças recebem os voluntários é enternecedora. Pudemos sentir o toque das crianças em nossas fragilizadas almas. Continuamos nossa viagem interior em busca de respostas para nossa imatura e adolescente consciência, mas não encontramos nenhuma, pois Deus é algo que vai além do entendimento. Ficamos estarrecidos com o que vimos nos próximos quartos do hospital. Um dos integrantes do grupo não conseguiu prosseguir conosco, voltando à casa de apoio para recuperar o fôlego. Os voluntários não deixam um quarto sequer para trás, exceto aqueles que estão com visitas. Os internos os adoram. É cintilante a expressão de ternura dos olhos dos doentes dedicada a eles. Como é possível tamanha dor, transcender, mesmo que em poucos minutos, eternos momentos de felicidade? Incontestavelmente, os voluntários são abençoados. Muitos deles apaixonam-se por seus pacientes, continuando a visitá-las, semanalmente, em suas casas, após a saída do hospital. Enquanto esses necessitarem de ajuda, os voluntários lá estarão.
Uma vez voluntário, sempre voluntário! Um lema que já foi usado pelos mosqueteiros, agora, faz parte do modo de vida dos voluntários. Magicamente, pudemos presenciar o retorno de uma antiga voluntária ao grupo Irmã Scheilla, comprovando a veracidade desse preceito. Seu nome: Suely. A casa de apoio Irmã Scheilla também realiza trabalhos voluntários no Hospital Manoel de Abreu. Para finalizarmos este singular relato, escolhemos a declaração única de um paciente, homenageando a todos nós, voluntários da Casa de Apoio Irmã Scheilla:
- Vocês estão cumprindo pena? Não! - risos. - Vocês têm que estar. Digam a verdade! Porque é impossível entender o que você fazem aqui. Quem se importa com a gente? Quem, hoje em dia, em seu estado normal, vai querer passar o seu tempo de lazer, de descanso do trabalho, longe de suas famílias, para vir aqui, até o hospital, ajudar a doentes que nem parentes seus são? Como vocês encontram tempo para isso? Não entendo. Só podem estar cumprindo pena! Esse pessoal é louco! Risos. Vocês não existem! Mas podem acreditar, o caminho de vocês já está abençoado nesta vida. Que Deus abençoe, cada vez mais e mais, todos vocês! Obrigado mesmo por tudo, de coração! Fiquem com Deus! Tchau, então! voltem sempre! Essa gente é doida! Vai entender! - mais risos... (Filipe Lisboa Ribeiro - RG. 30.833.346-9)