Já passou o tempo em que os discursos socialistas faziam eco na sociedade brasileira. As constantes derrocadas dos países socialistas, bem como o conhecimento do verdadeiro padrão de vida das populações naqueles países, colocaram o sistema à margem de qualquer observação inteligente.
A regra utilizada pelos países de 1.º mundo chega a ser ridícula de tão simples, mas é perigosa, quando entregue a governantes sem capacidade: via de regra, fazer dinheiro desvaloriza a moeda e gera inflação; contudo, se esse dinheiro servir para ampliar parques industriais e investir no comércio, isso gerará empregos; e empregos geram salários; salários geram renda; renda gera consumo; consumo gera capital; capital gera lucro e lucro é sinônimo de riqueza. Puxa, isso se chama capitalismo?
Aqui na terra brasilis, ocorre tudo ao contrário. O Governo quer gerar receita com impostos; impostos geram despesas; despesas geram cortes; cortes geram desemprego; desemprego acarretam falta de consumo; falta de consumo acarreta resfriamento do mercado; e este gera estagnação da economia. Vivemos como se vivia na Europa da Idade Média: os monarcas não se importavam com o povo e só se preocupavam em arrecadar impostos. Será semelhança demais?
Tenho medo do futuro deste País. Ele não está indo para o fundo do poço, como dizem os otimistas, mas já está lá deitado, adormecido e entorpecido, sem forças morais, políticas e culturais que o façam levantar. Quem sabe um dia o povo perceba que, somente quando vivermos o apogeu francês de 1789 (queda da Bastilha com a Revolução Francesa), destituindo e decapitando os nossos monarcas, e quando sentirmos o gosto das lágrimas e sangue que os americanos sentiram nas ferrenhas lutas pela sua independência, poderemos saber o que é construir um País e viver numa verdadeira democracia. Até lá... continuemos acreditando em horário político gratuito. (Ivan Garcia Goffi - OAB/SP 165.173 advocacia.igg@uol.com.br)